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"Xingu" leva saga dos irmãos Villas Bôas para Festival de Tribeca

Longa de Cao Hamburger relata a migração para o Centro-Oeste do Brasil na Era Getúlio

Irmãos tentaram salvar as tribos nativas afetadas pelo avanço do homem branco
Irmãos tentaram salvar as tribos nativas afetadas pelo avanço do homem branco Foto : AFP / CP
A história da "Marcha para o Oeste", contada no filme "Xingu" , leva a saga dos irmãos Villas Bôas e sua influência sobre as tribos indígenas do rio Xingu para o Festival de Tribeca, em Nova York. O longa, de Cao Hamburger, relata a migração incentivada pelo governo de Getúlio Vargas para o Centro-Oeste do Brasil para ocupar terras "virgens", uma história muito atual em meio à polêmica provocada pela construção da gigantesca hidrelétrica de Belo Monte, em plena floresta amazônica.

Hamburger se concentra na história dos irmãos que chefiaram a expedição, iniciada nos anos 1940, e lutaram contra a corrupção e suas próprias fragilidades para tentar salvar as tribos nativas afetadas pelo avanço do "homem branco". As paisagens impressionantes da Amazônia, que às vezes remetem a "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad, são o cenário para esta história épica centrada na expedição de Orlando, Claudio e Leonardo Villas Bôas, que terminará em 1961 com a criação do Parque Indígena do Xingu, no nordeste do estado de Mato Grosso, sul da Amazônia.

O parque nacional, onde convivem atualmente 14 tribos da região, talvez seja o único compromisso possível no dilema de "civilização e barbárie" em que se envolvem os três irmãos, os povos do rio Xingu e o governo. Longe de uma solução, o conflito ressurgiu recentemente, com a oposição de indígenas e ecologistas à construção de Belo Monte.

Outro filme latino-americano da mostra também tem a migração como tema na história contada por Lucy Mulloy em seu primeiro curta-metragem, "Una Noche" , centrado nas desventuras e no estranho triângulo amoroso entre dois jovens e a irmã de um deles que se aventuram na travessia dos 140 km que separam Cuba e Miami. "As pessoas deixam Cuba em botes caseiros, arriscando tudo. Todo mundo em Cuba conhece alguém que partiu ou tentou fazê-lo. Mães deixaram seus filhos, maridos deixaram suas mulheres. Alguns conseguem, mas muitos desaparecem ou são devolvidos pelo mar, vivos ou mortos", relata a diretora ao explicar o eixo de seu filme.

O Festival de Cinema de Tribeca celebra sua 11ª edição de quinta-feira até domingo, 29 de abril, com um programa de 89 longas e 60 curtas selecionados que representam 46 países.

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