Arte & Agenda

Zé Celso Martinez será homenageado na mostra Cine BH

A 17ª edição do evento será de 26 de setembro e 1º de outubro de 2023

Documentário 'Fédro' (2021), de Marcelo Sebá, com Zé Celso e Reynaldo Gianecchini em cena
Documentário 'Fédro' (2021), de Marcelo Sebá, com Zé Celso e Reynaldo Gianecchini em cena Foto : CineBH / Divulgação

A CineBH - Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o evento de cinema da capital mineira, chega a sua 17ª edição entre os dias 26 de setembro e 1º de outubro de 2023.

No dia 6 de julho de 2023, morreu José Celso Martinez Corrêa, dramaturgo, ator, escritor, agitador e uma das figuras mais lendárias do cenário cultural brasileiro. Fundador do Teatro Oficina, Zé Celso foi símbolo do tropicalismo e da antropofagia criativa nacional. Por causa de sua importância, a 17ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte vai promover um recorte especial dedicado ao artista, dentro da seção "Diálogos Históricos", com a presença de críticos e pesquisadores convidados para comentarem cada filme após a projeção.

Predominantemente vinculado às artes cênicas, Zé Celso teve também importantes presenças no cinema, forma de expressão que era uma de suas favoritas e com a qual também muito se relacionava. Foram selecionados três longas-metragens que, de certa forma, resumem a presença de Zé Celso nas telas. “Vários foram seus trabalhos na área, então o recorte de três obras é apenas representativo dessas facetas do Zé Celso que impregnaram as telas com sua presença vulcânica”, afirma Marcelo Miranda, curador da mostra "Diálogos Históricos" junto com Cléber Eduardo. “A trinca de filmes se não esgota o tamanho de Zé Celso nos palcos ou nos cinemas expande no público a compreensão do gigantismo desse artista e o quanto ele extravasava quaisquer dos espaços que ocupou”.

O primeiro filme, no dia 27 (quarta-feira), é  “Prata Palomares” (1970), dirigido por André Faria e que teve roteiro de Zé Celso, marcando sua primeira participação num projeto de cinema. O elenco ainda conta com atores do Teatro Oficina e de toda a filosofia de performance que era importante ao grupo, capitaneado pelo dramaturgo. 

No dia 28 (quinta-feira), é a vez de “O Rei da Vela”, único filme dirigido por Zé Celso, aqui em parceria com Noilton Nunes. É um retorno à sua encenação mais famosa, mas nem de longe um “teatro filmado”. O título tem por referência a famosa adaptação do Teatro Oficina em 1967 da peça original de Oswald de Andrade de 1933. Na época, o espetáculo foi censurado pela ditadura e somente voltou aos palcos em 1971, quando Zé Celso passou a filmar algumas das apresentações no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Esses registros audiovisuais se perderam por anos, depois que o dramaturgo precisou se exilar fora do Brasil. Ao retornar ao Brasil no começo dos anos 1980, Zé Celso decidiu fazer um filme a partir das imagens de “O Rei da Vela”, mas reconfigurando tudo e inserindo outras reflexões.

Por fim, no dia 29 (sexta-feira), o documentário “Fédro” (2021), de Marcelo Sebá, mostra o próprio Zé Celso na tela. O filme reúne o dramaturgo a um de seus antigos pupilos, o ator Reynaldo Gianecchini. Os dois não se encontravam há duas décadas, desde quando este último se desligara do Oficina. Num apartamento, acompanhados apenas pela pequena equipe de filmagem, Zé e Reynaldo falam sobre arte, vida, corpo, política e outras intimidades. 

 

17ª CINEBH

 

A CineBH - Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o evento de cinema da capital mineira, chega a sua 17ª edição entre os dias 26 de setembro e 1º de outubro de 2023. O evento promove a conexão entre o cinema brasileiro e estrangeiro, sendo um instrumento de formação, reflexão, exibição e difusão do audiovisual. A programação vai contar com 93 filmes nacionais e internacionais de 13 países.

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