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Zélia Duncan encena músicas de Luiz Tatit em Porto Alegre

Cantora apresenta visão teatral sobre canções do paulista no PoA em Cena<br />

Zélia Duncan encena repertório de Luiz Tatit em Porto Alegre
Zélia Duncan encena repertório de Luiz Tatit em Porto Alegre Foto : Pati Albuquerque / Divulgação / CP
Nesta segunda e terça, às 21h, no Teatro do Bourbon Country (Tulio de Rose, 80), a música e o teatro se fundem no show “TôTatiando”, no qual a cantora Zélia Duncan visita de forma cênica a obra de Luiz Tatit - membro fundador do Grupo Rumo, representante da vanguarda musical paulista da década de 1980. O espetáculo integra a programação do 20º Porto Alegre em Cena.

O show dirigido por Regina Braga conta uma estória a cada canção, como se fossem esquetes teatrais, com personagens, adereços e recursos específicos. O show não é um musical, ao invés de músicas feitas para teatro, é o teatro feito a partir da música. Na apresentação, Zélia conta com a direção musical de Bia Paes Leme e com os músicos Webster Santos e Tercio Guimarães. Mais informações no site do POA em Cena. 

Em entrevista ao Correio do Povo, Zélia Duncan fala sobre a apresentação, sobre a direção de Regina Braga e a ansiedade de participar pela primeira vez do Porto Alegre em Cena.

Correio do Povo - Como surgiu a ideia do espetáculo "TôTatiando"?
Zélia Duncan - Comecei a acalentar há uns três anos, pra fazer parte da minha comemoração particular, dos 30 anos de carreira e lá se vão 32! Sonho realizado, o espetáculo existe e adoramos tudo que diz respeito a ele. É também um "muito obrigado" ao Tatit, que sempre me alimentou com sua obra.

CP - Neste espetáculo, transparece a cenicidade que estava latente na cantora. Como foi este processo?
Zélia - Antes de mais nada, minha diretora e criadora comigo de tudo isso, Regina Braga, foi fundamental e me deu instrumentos pra descobrir esse caminho. Eu trouxe para ela as músicas, onde eu enxergava possíveis personagens e a dramaturgia foi nascendo.

CP - Quais foram os principais conselhos e orientações cênicas que a Regina Braga te deu durante os ensaios?
Zélia - Ela sempre diz e eu pude comprovar que, em teatro, o tempo é outro e o universo do possível se abre. Todo o tempo para gestos e sentimentos que me tomam de assalto. Mascamos as cenas, como uma coreografia, mas tenho sempre a possibilidade de reagir e contracenar com pedaços meus, que eu desconhecia.

CP - Do repertório de Luiz Tatit escolhido para a apresentação, qual as canções que você destaca?
Zélia - Difícil de dizer, o espetáculo dura uma hora, é muito enxuto e cada uma é fundamental. Pra não deixar de responder, fico com a primeira, que se chama “O Meio” e fala da dificuldade de começar.

CP - Em mais de 30 anos de carreira, quais são os projetos futuros, as coisas ainda não realizadas?
Zélia – Muitas coisas eu tenho para realizar, nada que eu possa falar agora. Fora o que ainda não pensei!

CP - No Rio Grande do Sul, com a música gaúcha, qual é a troca que já tiveste ou tens atualmente?
Zélia: Com a música gaúcha propriamente dita, eu não tenho muito contato, tenho ouvido muito o mais recente álbum de Yamandu Costa, “Continente”, que deixa muito patente as suas raízes.

CP - Para fechar, uma resposta à pergunta de o que é se apresentar no Porto Alegre em Cena?
Zélia: Eu desejei muito estar nesse evento. Eu estou muito ansiosa para esse dia chegar e estou com um medinho que me empurra para frente. O teatro é a possibilidade maior do risco e da salvação das nossas possíveis humanidades. O espetáculo é suave, sutil, sofisticado pelo despojamento, assim como o genial Luiz Tatit. Eu queria apresentar meu “TôTatiando” num festival de teatro por excelência, com a consistência que ele tem, espero fazer jus a esse privilégio.

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