Um dos momentos altos desta manhã na 44ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi a presença do cartunista Ziraldo, que falou com o público sobre literatura para crianças e o futuro do cinema infantil brasileiro. A conversa lotou o auditório Ouro Preto do Kubitschek Plaza Hotel e abordou muitos assuntos, além do foco principal. Artista gráfico, humorista, escritor de livros para crianças, ilustrador, cartunista, dramaturgo, jornalista e bacharel em Direito, Ziraldo atacou o governo FHC e falou do Brasil em geral, antes de entrar na temática da literatura e do cinema. "O FHC esteve oito anos no poder e onde está o projeto da cultura e do cinema brasileiro?", alfinetou. Primeiro cartunista brasileiro a ter uma revista em quadrinhos só dele, "A Turma do Pererê", a primeira totalmente em cores feita no Brasil, Ziraldo elogiou a política de alguns países, como a a China, na formação de públicos e em políticas de apoio à cultura. "Os chineses não querem ler, eles querem é ver", resumiu. Em meio ao seu pensamento, Ziraldo teceu alguns comentários fazendo paralelo entre as duas áreas - literatura e cinema -, a partir da ótica do público infantil. Mas falou, mesmo, foi de generalidade. "Sou um especialista em assuntos gerais", brincou. Segundo ele, o Brasil produz uma média de 80 filmes por ano, mas é possível que o País viva vários anos sem que surja um filme infantil sequer. Ziraldo já teve dois de seus livros adaptados para o cinema. O primeiro, "O Menino Maluquinho", já rendeu os filmes "Menino Maluquinho – o filme", dirigido por Helvécio Ratton, em 1994, e "Menino Maluquinho 2 – a aventura", realizado em 1997, por Fernando Meirelles e Fabrizia Pinto. O segundo, "Uma Professora Muito Maluquinha", produção de 2009/2011, dirigida por André Alves Pinto e Cesar Rodrigues, foi exibido ontem aqui na mostra Panorama Brasil, do Fest Brasília.
Ziraldo solta a voz em Brasília
Ziraldo fala sobre Literatura Infantil e generalidades no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro