Arte & Agenda

Zudizilla une hip hop e jazz no novo álbum “Quintessência”

O rapper inicia nova fase em um disco marcado pela experimentação, que reúne nomes da música gaúcha como Renato Borghetti e Vitor Ramil

O rapper Zudizilla
O rapper Zudizilla Foto : Thais Vandanezi / Divulgação / CP

Em uma proposta que transita entre o rap e o jazz, o rapper e produtor musical Zudizilla lançou seu novo álbum, “Quintessência”, nesta quinta-feira, dia 24. Costurando as mais diversas referências da música produzida no Rio Grande do Sul, Zudizilla constrói seu trabalho a partir da pesquisa, da escuta e da experimentação.

As colaborações do disco reúnem sonoridades gaúchas, que vão desde o nativismo de Renato Borghetti à milonga de Vitor Ramil, e resgata legados musicais como do Grupo Pentagrama, do qual participou Loma Solaris, cantora que celebra a herança afro-açoriana. Também participam artistas como Cristal e Catto, que marcam a presença da música gaúcha emergente.

Em entrevista, o rapper ressalta que trazer a música gaúcha para o projeto é também evidenciar da onde que surge seu som e qual sua origem. “Quero muito ser reconhecido como um artista do Rio Grande do Sul, apesar do Rio Grande do Sul ainda ter muita relutância comigo”, diz. Para ele, a proposta do disco se torna mais rica com a vasta diversidade de músicas e expressões gaúchas, reconhecendo e trazendo luz às nuances musicais do Sul.

Os últimos trabalhos do rapper pelotense fazem parte da trilogia “Zulu”, composta pelos álbuns “Zulu, Vol .1: De Onde Eu Possa Alcançar o Céu Sem Deixar o Chão”, “Zulu Vol. 2: De César a Cristo” e “Zulu: Quarta Parede (Vol. 3)”. A partir de “Quintessência”, Zudizilla quis observar o mundo de um outro lugar.

“Eu ir atrás do jazz é uma forma de eu continuar fazendo rap porque o jazz é o primeiro rap que teve. O jazz já foi marginal, como o rap já foi marginal”, observa. Pela primeira vez, a dinâmica de sua banda ocupa papel central dentro do estúdio, permitindo explorar mais possibilidades de flow, a maneira como o rapper encaixa o ritmo e a voz em cima da batida.

Para ele, faz mais sentido experimentar com o jazz do que ir para outras vertentes do hip hop, como o trap e o drill. Ainda assim, enquanto artista, Zudizilla afirma que sempre busca sair das formas já convencionais de fazer rap.

Nessa mescla de gêneros, as outras sonoridades também saem do seu lugar comum. A parceria com Renato Borghetti é um desses destaques. Em “Quintana”, que abre o álbum, o gaiteiro é desafiado a tocar em uma música que, embora flerte com a música tradicionalista, é um jazz. “Isso simbolicamente é quase como um corpo preto que é retirado de África e jogado no Rio Grande do Sul. E agora, como é que tu se vira?”, diz Zudizilla.

“Quintessência”, além de ampliar os horizontes criativos do rapper a partir da experimentação, também reafirma sua conexão com a música negra, a ancestralidade e os debates sobre liberdade e pertencimento. “Tudo ali é música preta. Tudo, tudo, tudo, tudo é música preta, tudo é continuidade de muita coisa que muita gente já fez. Não é algo nem explicável assim, é só escutar que está implícito”, diz ele.

O artista destaca o quanto a pesquisa e a construção do disco são um momento de catarse para ele. A dimensão conceitual do álbum faz referência ao Éter, elemento da alquimia puro e brilhante, que é apenas alcançado após cinco destilações. O novo disco também se desdobra em uma narrativa audiovisual com um curta-metragem de mesmo nome, que acompanha uma passagem simbólica entre processo, transformação e obra.

Em seu quinto álbum, Zudizilla explora a simbologia do número cinco e como ela atravessa sua trajetória. “Ouve a música e aí depois tu vai folheando as páginas e entendendo que nenhuma música tá ali por acaso e nem esse disco ele chega no mundo por acaso. Mas já não é uma obra minha, é uma obra do universo, que só me usa como instrumento para essa poética”, completa o artista.

Ouça o álbum “Quintessência”

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta quinta-feira, dia 15 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio