Arte & Agenda

ZZ Top dá aula de rock e simpatia

Banda texana tocou pela primeira vez em Porto Alegre na noite deste domingo

Banda fez um retrospecto dos 40 anos de carreira
Banda fez um retrospecto dos 40 anos de carreira Foto : Paulo Nunes
Os mais de 40 anos de espera pela vinda do ZZ Top ao Brasil foram recompensados com dois memoráveis shows, na última sexta, com o Via Funchal, em São Paulo completamente lotado, e agora pouco em Porto Alegre, no palco do Pepsi On Stage, para mais de 4 mil pessoas. Os texanos barbudos, ícones do blues e do rock, não decepcionaram e fizeram um show regado ao mais puro rock e bom-humor. Nem mesmo os pequenos problemas técnicos do início, nas duas primeiras músicas ("Got me under Pressure" e "Waitin for the Bus"), tiraram o brilho do show. Billy Gibbons, o guitarrista fanfarrão, de sorriso largo e gestos idem, não se importou nenhum um pouco com as dificuldades do início. Pelo contrário, se divertiu com as duas saídas que teve de fazer do palco para os ajustes. Problema resolvido, o "pau comeu" literalmente com  os petardos absolutos de "Pincushion", "I'm Bad, I'm Nationwid" e o cover de "Future Blues", de Willie Brown.

Foi nessa hora que a coisa esquentou ainda mais. Gibbons chamou ao palco sua tradutora esguia e simpática que atendia pelo nome de Cássia, que passou a questionar Gibbons sobre sua estada em Porto Alegre. Ele, sorridente, respondeu tudo num português surpreendente. Arrancou aplausos e gargalhadas quando Cássia perguntou: "Como você chegou aqui? De avião, de barco?". O barbudo se esquivou do microfone e, voltando largou: "Na minha bicicleta!". Estava ali a explicação para tanta demora em se apresentar no Brasil. Na seqüência, Gibbons se disse preparado para o blues e, tomando um chapéu de outra bela assistente de palco, entrou de "Rock me Baby" e "Cheap Sunglasses", canção que, em entrevista essa semana ao Correio do Povo, disse ser a música que resume o modo de vida do ZZ Top.

Em "I Need You", Gibbons brincou com a guitarra, tocando sem uma das mãos por quase toda a música e, virando as costas do instrumento se via escrito em letras garrafais: CERVEJA.

O show todo foi um desfile de hits da banda e de muitas intervenções divertidas do guitarrista em parceria com o baixo de Dusty Hill, que cantou boa parte das canções também. O baterista Frank Beard se manteve introspecto, mas exato em tudo. Aliás, o seu instrumento é que chamava a atenção, com o bumbo imitando uma roda de liga leve cromada de um hot rod, como no videolclipe da mais aguardada das músicas da noite, "Gimme All Your Loving", cantada e pulada em coro. Antes, pausa para um homenagem: Gibbons pediu licença para o mestre Jimi Hendrix e tocou "Hey Joe", com imagens psicodélicas sendo projetadas ao fundo do palco. E mais energia veio nas incursões da banda por "Legs", com direito aos instrumento de pelúcia de Gibbons e Hill, em "Viva Las Vegas" e em "La Grange". O final foi apoteótico com "Tush". Não teve bis, mas ninguém se importou. Na plateia, quase todos os grandes guitarristas e músicos da Capital e uma sensação única: valeu a pena esperar.

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