Direto ao Ponto

Associação de jogadores pede reunião com a Fifa e critica punição a Guerrero

Centroavante recebeu apoio em chegada ao Peru

Guerrero recebeu apoio em chegada ao Peru
Guerrero recebeu apoio em chegada ao Peru Foto : Ernesto Benavides / AFP / CP
A Federação Internacional de Jogadores de Futebol Profissional (FIFPro, na sigla em inglês) divulgou nesta terça-feira um comunicado em defesa do atacante peruano Paolo Guerrero. A associação dos atletas pede uma reunião urgente com a Fifa para tentar reverter a punição que tirou o centroavante da Copa do Mundo da Rússia. "Fifpro considera a suspensão injusta e desproporcional e o exemplo mais recente de um Código Mundial Antidoping, que muitas vezes leva a sanções inadequadas, especialmente quando diz que não havia intenção de trapacear", informou a entidade, que tem sede na Holanda.

Na última segunda-feira, a Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) sentenciou Guerrero a 14 meses de suspensão pelo uso de benzoilecgonina. O tribunal informou que o jogador testou positivo por ter tomado um chá de coca. Também afirmou que ele não teve a intenção de se beneficiar, mas optou pela suspensão por considerar o atleta negligente. O peruano já cumpriu seis meses de suspensão e, com essa nova decisão, só voltará a campo em 2019.

"A Fifa e a Corte Arbitral do Esporte concordam que Guerrero não ingeriu a substância intencionalmente e que não tentou obter melhora de performance. Isso, desafia o senso comum de que ele deveria receber uma punição que é tão prejudicial para sua carreira", prosseguiu o comunicado.

O comunicado ainda reclama que o novo código da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) não consultou os jogadores de futebol e seus representantes. E finaliza pedindo à Fifa e a outras partes interessadas do futebol que "revisem imediatamente como mudar as regras antidoping no futebol, para que sirvam aos melhores interesses do jogo e protejam os direitos fundamentais dos jogadores".

Apoio no Peru


Um dia depois do baque pelo anúncio da suspensão de 14 meses, Guerrero desembarcou nesta terça-feira em Lima, no Peru. O atacante do Flamengo voltou para o país para ficar ao lado da família e recebeu também o carinho da torcida peruana, que compareceu em peso ao Aeroporto Internacional Jorge Chávez para recepcioná-lo. O atacante não recuou na alegação de inocência. Pelo contrário, voltou a afirmar nesta terça-feira que não fez nada de errado.

"Há algo que está claro: sou inocente e tenho que seguir tentando provar. Estou conversando com meus advogados e garanti uma vez mais", declarou. Guerrero novamente se disse vítima de uma "injustiça". "Estou triste, mas vim aqui mostrar a cara, já que estavam especulando muitas coisas, de muitas pessoas. Isso é uma injustiça, já avisei. Estão me tirando da Copa do Mundo. Mais do que isso, é minha carreira. Estou agradecido ao público. Hoje (terça-feira) vim para demonstrar o meu carinho pelas pessoas que me apoiam".

Guerrero testou positivo em exame realizado depois do empate por 0 a 0 entre Argentina e Peru, em Buenos Aires, pela penúltima rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa da Rússia de 2018, no dia 5 de outubro. Em dezembro, a Fifa aceitou a defesa de que o atacante tinha ingerido um chá contendo a substância e, portanto, aplicou seis meses de suspensão, levando em consideração que a sanção mínima seria de um ano se não tivesse havido negligência.

A Wada, no entanto, entrou com um recurso na CAS e solicitou que a decisão da Fifa fosse anulada e Guerrero suspenso por um período entre um e dois anos, de preferência por 22 meses. Na decisão definitiva, que não cabe mais recurso, o peruano foi suspenso por 14 meses. Diante deste cenário, Guerrero atacou a Federação Peruana de Futebol (FPF): "Não me ajudou em nenhum momento". O jogador ainda criticou a rede de hotéis Swissotel, onde ele alegou ter ingerido o tal chá que estaria contaminado, por não ajudá-lo na defesa. "O Swissotel me deu as costas. Só queria saber a verdade. Ainda enviou uma carta à Wada e isso resultou na minha punição", alegou.

Mais Lidas