Durante anos, Karen Juliana da Rosa Seleste, 47 anos, conciliou as faxinas como diarista com a produção de pizzas artesanais na cozinha de casa, no bairro Mário Quintana, em Porto Alegre. O que começou como um complemento de renda ganhou força na pandemia, mas o sonho da "vitrine" própria exigiu uma decisão audaciosa: abrir mão da casa onde viveu por duas décadas para investir em um ponto comercial estratégico. Após superar dificuldades pessoais e com o suporte do Instituto Vakinha, Karen agora finaliza a reforma de seu novo espaço e prepara a retomada das atividades.
A trajetória de Karen ilustra o que o projeto Mulheres Transformam pretende multiplicar em 2026. Em sua quarta edição, a iniciativa do Instituto Vakinha planeja alcançar 400 mulheres em regiões vulneráveis do Rio Grande do Sul. O foco deste ano une o incentivo financeiro ao acesso a direitos e a orientações para o enfrentamento da violência doméstica. O lançamento oficial da edição acontece no dia 31 de março, no Instituto Caldeira.
A diretora executiva do Instituto Vakinha Renata Fehlauer explica que a experiência de 2025 revelou um cenário de dependência financeira e desconhecimento sobre mecanismos de defesa, o que motivou a ampliação da proposta. "A cada edição, o projeto evolui. Este ano, também queremos nossas mulheres vivas e cientes dos seus direitos", afirma Renata.
Uma trajetória que mudou
Foi durante um emprego temporário em uma empresa terceirizada que prestava serviços ao Vakinha que a trajetória de Karen mudou. Ao criar uma campanha de arrecadação na plataforma para tentar reerguer seu negócio, sua história chamou a atenção de Renata, que a convidou para o projeto Mulheres Transformam.
O apoio do Instituto serviu como o combustível para que ela não desistisse. Atualmente, ela enfrenta o desafio de organizar o novo local enquanto vive nele: fase de transição que ela descreve como "estar acampada" para realizar o sonho.
"Entrei para adquirir conhecimento e aprender a ser empresária. As consultorias me dão a certeza de que estou no caminho certo", afirma Karen. Participante da edição de 2025, ela agora utiliza o suporte em gestão para finalizar a reforma do novo espaço e retomar as atividades em cerca de três meses.
Para ela, empreender é a chave para a liberdade: "O que mudou na minha vida foi o gosto pela qualidade de vida, de fazer meus horários e não ficar limitada a uma carteira CLT para poder acompanhar meus filhos de perto". Mesmo sem formação técnica prévia, ela percebeu nas consultorias de gestão que já aplicava, de forma intuitiva, muitas das práticas ensinadas. "Muitas coisas que eu fiz, hoje nas consultorias eu entendo que já estava no caminho", revela.
O suporte que faz a diferença
Para Renata Fehlauer, casos como o de Karen é o que move a expansão do projeto para 400 mulheres em 2026. A diretora explica que a inclusão de auxílio para transporte, alimentação e recreação para os filhos foi uma decisão estratégica para combater a evasão e garantir que a carga de cuidado doméstico não seja um impedimento para o estudo. "A autonomia financeira é o principal resultado esperado. A formalização dos negócios é importante, mas o foco central é o incremento da renda individual e o fortalecimento da autoestima", pontua Renata.
Com o amadurecimento do projeto se percebeu que a vulnerabilidade muitas vezes está ligada ao desconhecimento de direitos básicos. Por isso, a nova fase, em parceria com o Ministério Público do RS, focará no "letramento jurídico". O objetivo é garantir que a participante saia da capacitação não apenas como uma empreendedora, mas como uma cidadã amparada por uma rede de proteção oficial, capaz de identificar e romper ciclos de violência.
A parcerias se estendem com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-RS) que assume os módulos de gestão e autoconhecimento. As turmas de 2026 focarão em Porto Alegre (Ilhas), Eldorado do Sul (Vila Corsaneira) e na região do Vale do Taquari, áreas que ainda enfrentam os impactos das inundações.
Projeto Mulheres Transformam 2026
- O que é: Iniciativa do Instituto Vakinha que oferece capacitação em empreendedorismo, mentoria, capital semente de R$ 1.000,00 e orientação jurídica para mulheres em situação de vulnerabilidade.
- Meta de 2026: Atender 400 novas mulheres em um único ano.
- Investimento necessário: O Instituto busca mobilizar R$ 1,5 milhão junto à sociedade.
- Como ajudar: Doações online em www.vakinha.com.br/mulheres ou parcerias corporativas pelo e-mail renata@vakinha.com.br.
- Lançamento: Dia 31 de março, no Instituto Caldeira (Travessa São José, 455 - Porto Alegre).
Projeto em Números
- R$ 80 milhões: Valor mobilizado pelo Vakinha para as enchentes no RS em 2024.
- 400 mulheres: Alcançadas nas três primeiras edições (2023, 2024 e 2025).
- 400 novas vagas: Meta de expansão para o projeto em um único ano (2026).
- R$ 1,5 milhão: Investimento necessário para viabilizar a meta de 2026.
- R$ 1.000,00: Valor do capital semente entregue a cada participante.
- 3 cidades-foco: Porto Alegre (Ilhas), Eldorado do Sul (Vila Corsaneira) e Vale do Taquari.
