Mulheres sempre estiveram na ciência, inovando, descobrindo e transformando o mundo, apesar dos inúmeros desafios. Além da falta de oportunidades, o público feminino ainda precisa lutar para conquistar seu protagonismo na área. Nesta terça-feira, 11 de fevereiro, é celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, um marco para reconhecer suas contribuições e reforçar a necessidade de maior representatividade nas áreas científicas e tecnológicas.
A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 para promover, de forma plena e igualitária, o acesso à ciência e a participação feminina.
No Brasil, o número de pesquisadoras que assinam publicações científicas aumentou de 38% para 49% entre 2002 e 2022, colocando o país entre os três primeiros no ranking mundial de maior participação feminina na ciência, ao lado de Argentina e Portugal, segundo o relatório da Elsevier-Bori “Em direção à equidade de gênero na pesquisa no Brasil”.
Embora a produção científica nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) tenha crescido 10% nos últimos anos, a presença feminina ainda é baixa: em Matemática, apenas 19% dos pesquisadores são mulheres; em Ciência da Computação, 21%; e em Engenharia, 24%.
👩💻 Incentivo às meninas na ciência: referências e oportunidades
Especialistas apontam que o incentivo deve começar ainda na escola, garantindo que meninas tenham um vasto repertório de referências na ciência e oportunidades para desenvolver suas habilidades.
No Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo, iniciativas têm inspirado alunas a explorar carreiras científicas e alcançar reconhecimento em competições acadêmicas. Um exemplo é estudante Gabriella de Carvalho Penazzi, que conquistou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica e foi classificada para as seletivas das olimpíadas internacionais da área.
Outro caso que demonstra a importância do incentivo à presença feminina na ciência é o Projeto METIS, coordenado por Michele Nogueira, Ph.D. pela Universidade de Sorbonne e professora da Ufmg. O programa tem como objetivo aumentar a presença de mulheres na cibersegurança, uma área com crescente demanda de profissionais devido ao aumento e à sofisticação dos ataques cibernéticos.
O METIS promove oficinas, palestras, mentorias e capacitação técnica para meninas e mulheres, além de criar redes de apoio e influenciar políticas públicas para maior inclusão feminina na área.
Juliane Ruas, estudante de Ciência da Computação da Ufmg e participante do METIS, conta que já sentiu na pele os desafios de ser uma mulher em um ambiente dominado por homens.
“Essas experiências são comuns em um curso majoritariamente masculino. No entanto, esses desafios me motivam ainda mais a mostrar a importância da presença feminina na tecnologia. O projeto desempenha um papel fundamental ao capacitar e atrair mais mulheres para a área, além de criar uma rede de apoio essencial, em um ambiente acolhedor”, relata.
👩🔬 Resultados e impactos do protagonismo feminino
Apesar dos avanços, a desigualdade de gênero no setor de tecnologia e ciência ainda é expressiva. Segundo a Unesco, mulheres representam apenas 12% dos pesquisadores de Inteligência Artificial e 6% dos programadores em todo o mundo.
Essa disparidade reforça a importância de iniciativas que incentivem a participação feminina desde a educação básica até a ocupação de cargos estratégicos nessas áreas. Além dos esforços dentro das instituições de ensino tradicionais, cursos extracurriculares também desempenham um papel fundamental para a inclusão.
No Brasil, a presença de mulheres no setor de TI ainda é desproporcional, com 83,3% das vagas ocupadas por homens, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No entanto, entre 2015 e 2022, a participação feminina no setor aumentou 60%.
Esse crescimento é impulsionado por iniciativas como a da escola Ctrl+Play, que ensina programação e robótica para jovens de 7 a 17 anos. Para muitas alunas, o curso é uma porta de entrada para o universo da tecnologia, ajudando-as a desenvolver habilidades e quebrar barreiras de gênero na profissão.
- Revolução da IA: um novo desafio para as mulheres
- Pesquisadora da Ufrgs é uma das 100 Mulheres Brilhantes em Ética na Inteligência Artificial
- Redes sociais começam a substituir o Google nas buscas online; entenda
Neste cenário, o reconhecimento internacional de pesquisadoras brasileiras também se destaca. Na última quinta-feira, 6, Luciana Monteiro-Krebs, pesquisadora da Ufrgs, foi nomeada uma das 100 Mulheres Brilhantes em Ética na Inteligência Artificial, reforçando a relevância do trabalho feminino na interseção entre tecnologia e comunicação científica.
Além de aumentar o número de mulheres na área, projetos como o METIS buscam também criar uma mudança estrutural no setor, contribuindo para a formação de um ambiente mais inclusivo e diverso.
“Assim, o projeto não só fortalece a cibersegurança, mas também promove um impacto positivo na sociedade, mostrando que a inclusão é um caminho essencial para a inovação e o progresso”, conclui a professora Michele Nogueira.
