Ingrid Barth debate estratégia e sucesso feminino no South Summit

CEO da PilotIn participa do painel “Women Who Exit” ao lado de Erica Fridman para discutir como mulheres estão redesenhando o empreendedorismo no Brasil

Ingrid Barth leva ao South Summit 2025, em Porto Alegre, a proposta de transformar a relação dos brasileiros com o dinheiro
Ingrid Barth leva ao South Summit 2025, em Porto Alegre, a proposta de transformar a relação dos brasileiros com o dinheiro Foto : Divulgação Pilotin / CP

Com mais de duas décadas dedicadas à inovação e às finanças, Ingrid Barth tem se destacado como uma das principais lideranças femininas do setor no Brasil. À frente da PilotIn, fintech que busca simplificar o acesso ao crédito e oferecer mais controle financeiro às pessoas, ela compartilha a visão de que tecnologia, dados e educação podem transformar a vida dos brasileiros.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Povo, às vésperas do South Summit 2025 em Porto Alegre, Ingrid falou sobre as transformações do mercado, os desafios da inclusão financeira e o futuro do sistema bancário com o avanço da tokenização e do Drex. Também relembrou sua trajetória em projetos como o Open Finance e o Linker, reforçando a importância de construir soluções que coloquem o consumidor no centro.

Ingrid fará parte do painel “Women Who Exit: Stories of Success and Strategy”. O encontro será na sexta-feira, 11 de abril, das 9h50 às 10h25. Ela estará com Erica Fridman, general partner da Sororitê Ventures, que é responsável pelo Sororitê Fund 1, um fundo de Venture Capital de R$ 25 milhões que investe em startups fundadas por mulheres. Juntas, as executivas discutirão como resiliência, pensamento estratégico e visão de futuro podem impulsionar empreendedoras.

Correio do Povo - Você já participou da construção de soluções financeiras para PMEs no Neon e foi cofundadora do Linker, adquirido pela Omie. De que forma essas experiências ajudaram a moldar a proposta da PilotIn?

Ingrid Barth - Minhas experiências anteriores me ajudaram a definir qual caminho seguir e chegar a minha tese muito mais rápido. Tudo isso me mostrou como eu gostava de empreender, criar e inovar, especialmente no ramo financeiro e de crédito. Eu gostei muito da experiência de empreender na Linker, mas senti que foi tudo muito rápido. Agora, quero passar por todas as fases, o famoso “late stage”.

CP - A PilotIn tem como missão ajudar os brasileiros a se tornarem pilotos da própria vida financeira. Na prática, como essa autonomia é construída e quais são os maiores obstáculos no caminho?

Ingrid - Criamos o PilotIn com o intuito de transformar as pessoas em “pilotas” da sua vida financeira, unificando todas as contas em um só lugar e no Whatsapp, e facilitando, também, a visibilidade e entendimento do dia a dia das suas finanças através da tradução de dados em insights e predições baseadas em AI. Além disso, queremos democratizar o acesso a bons produtos de crédito, como cartões e empréstimos e de fintechs parceiras. Com base em Inteligência Artificial, Open Finance e dados de comportamento de consumo, buscamos guiar o cliente para que ele entenda e comande sua vida financeira de maneira simples e sem fricção, trazendo uma análise 360 da movimentação financeira dos consumidores. E também buscamos ser um parceiro de outras empresas nesse processo, como por exemplo no agro e no varejo.

Operamos dentro da legislação do Open Finance, sendo, assim, uma empresa puramente de dados. Na prática, o cliente dá seu consentimento e abre suas informações para criar um histórico de comportamento além do score. Nesse momento, usamos IA para, de fato, produzir esses insights para o B2B complementar a análise de crédito e, assim, garantir acesso a mais opções ao cliente.

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CP - Como chair do Startup20, grupo de engajamento do G20 voltado a startups e empreendedorismo, qual tem sido o papel do Brasil nesse diálogo internacional sobre inovação?

Ingrid - Temos tido um espaço muito grande nesses encontros para mostrar todo o potencial brasileiro de inovação tanto para o nacional quanto para o internacional - reforçando outros estados além de SP. Criamos uma nova narrativa sobre o Brasil, dando mais visibilidade ao país e seu potencial de empreendedorismo. É assim que estamos construindo um ambiente mais inclusivo, colaborativo, dinâmico e diverso.

CP - Durante quatro anos, você integrou o conselho deliberativo do Open Banking junto ao Banco Central. Que avanços esse ecossistema trouxe até agora e o que ainda precisa evoluir?

Ingrid - Entrei no conselho do Open Finance, representando as fintechs, logo no início do projeto, quando não tínhamos nada construído, e pude participar ativamente dessa construção, o que foi muito rico. Dentro desse período, pude enxergar o nascimento de fato do Open Finance brasileiro, seguimos pelas fases estabelecidas e observamos os primeiros consentimentos acontecerem. Hoje, o Brasil tem aproximadamente 6 vezes mais compartilhamentos que a Inglaterra, cujo projeto começou anos antes e serviu de inspiração para a proposta brasileira. Isso demonstra um grande avanço e de maneira rápida, e é só o começo. A primeira parte do Open Finance focou bastante em consentimentos para pessoas físicas, agora esse desenvolvimento precisa evoluir para pessoa jurídica.

CP - O mercado de fintechs no Brasil segue em expansão, mas ainda enfrenta desafios estruturais. Quais lacunas você identifica hoje, especialmente quando se fala em inclusão financeira real?

Ingrid - Temos alguns entraves quando falamos sobre inclusão financeira real como a baixa educação e conhecimento da população sobre as finanças, a falta de acesso, exclusão digital e a falta de personalização de produtos e serviços. Nós viemos para o setor para tentar preencher essas lacunas usando o potencial das novas tecnologias, da IA e do Open Finance.

CP - Com mais de 20 anos de atuação nos setores de finanças e inovação, o que você acredita que será a próxima grande disrupção no mercado financeiro brasileiro?

Ingrid - As experiências automatizadas e personalizadas são umas das maiores tendências e disrupções que vemos no mercado financeiro. Dentro disso, temos a possibilidade de aprimorar o atendimento ao cliente, fortalecer a segurança antifraude, disponibilizar assessoria financeira 24/7 e automatizar processos administrativos. Também podemos incluir aqui as transferências inteligentes, programadas e automatizadas que permitem a movimentação de recursos de forma fluida.

Além disso, a tokenização de ativos reais segue presente e se expandindo, permitindo que bens como imóveis, energia e obras de arte sejam transformados em frações digitais para negociação. Aqui, podemos falar também sobre o Drex, a moeda digital do Banco Central como tokenização do dinheiro que está em fase piloto. O serviço facilitará a integração entre dinheiro digital e ativos tokenizados. Ele permitirá transações mais rápidas e seguras, automatizadas por contratos inteligentes, eliminando intermediários e reduzindo custos. Essa conexão entre o Drex e outros ativos tokenizados criará um ecossistema financeiro integrado e eficiente, com maior fluidez nas transações e benefícios para consumidores e empresas. No fim, estamos sempre falando sobre mais automatização e otimização.