Mulheres são 22% da mineração no Brasil, acima da média global

Relatório do Women in Mining Brasil indica aumento da presença feminina no setor mineral, acima do percentual mundial que fica entre 8% e 17%

Setores historicamente masculinos, mineração e metalurgia começam a registrar maior presença feminina
Setores historicamente masculinos, mineração e metalurgia começam a registrar maior presença feminina Foto : Assessoria de imprensa / Divulgação / CP

A presença feminina na mineração brasileira chegou a 22% da força de trabalho do setor, o equivalente a 30.744 profissionais, segundo o Relatório de Indicadores do Women in Mining Brasil (WIM Brasil). O percentual se manteve estável em relação ao ano anterior e coloca o País acima da média internacional, que varia entre 8% e 17% de participação feminina na mineração.

Na metalurgia, o cenário segue tendência semelhante. Dados do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba indicam que as mulheres representam cerca de 19% dos aproximadamente 42 mil trabalhadores da base sindical. Levantamentos do setor também apontam que mais de 350 das 707 ocupações registradas na Classificação Brasileira de Ocupações ainda não contam com presença feminina.

Apesar do avanço, a presença das mulheres nos cargos de liderança ainda cresce em ritmo mais lento. Hoje, elas ocupam cerca de 25% das posições executivas e 21% das cadeiras em conselhos administrativos do setor mineral. A meta estabelecida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) é alcançar 35% de participação feminina até 2030.

Para o presidente executivo da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Horacidio Leal Barbosa Filho, a ampliação da presença feminina é estratégica para o desenvolvimento do setor. “A indústria minero-metalúrgica precisa refletir a diversidade da sociedade. A ABM tem atuado para promover espaços de formação, debate e visibilidade que contribuam para a inserção e o crescimento das mulheres na engenharia e na indústria, fortalecendo a inovação e a competitividade do país”, afirma.

Histórias mostram desafios na trajetória profissional

Relatos de executivas que atuam na indústria ajudam a dimensionar esse cenário. A engenheira química Daniele Lima, diretora de vendas da Vesuvius para a América do Sul, afirma que no início da carreira precisou lidar com ambientes predominantemente masculinos. Segundo ela, em diversas posições ocupadas era a única mulher ou uma entre poucas profissionais da equipe. A credibilidade, afirma, foi sendo construída ao longo do tempo a partir dos resultados e da consistência do trabalho.

Para Christiane Luckmann, CEO da Autron Automação, empresa que atua no setor minero-metalúrgico, ampliar a presença feminina também passa pela construção de ambientes organizacionais mais inclusivos. Atualmente, cerca de 36% dos profissionais da empresa são mulheres.

Formação acadêmica impulsiona presença feminina

A formação acadêmica aparece como um dos fatores que contribuem para ampliar a presença feminina na indústria. Dados da consultoria McKinsey indicam que 15,5% das mulheres do setor possuem ensino superior, frente a 9,3% dos homens. Mesmo com maior qualificação média, profissionais ainda relatam barreiras culturais e estruturais, desde estereótipos históricos até limitações de infraestrutura em determinados ambientes industriais.

Entre as novas gerações, eventos técnicos e iniciativas de aproximação com a indústria são apontados como caminhos para ampliar o interesse e a permanência das mulheres no setor. A avaliação de especialistas é que políticas de diversidade, aliadas à modernização dos processos produtivos, podem ajudar a reduzir barreiras históricas e ampliar a participação feminina ao longo dos próximos anos.

A engenheira metalúrgica Ana Júlia Wenceslau, formada pelo Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), participou da ABM Week 9 e destaca a importância de iniciativas que aproximem estudantes da indústria. “Na faculdade, muitas vezes ficamos focados apenas no processo em si. Em eventos técnicos, é possível conhecer outras áreas que contribuem para o setor, como refratários e instrumentação, ampliando a visão sobre as possibilidades de atuação”, afirma.