Tenho o prazer de estrear essa coluna no mesmo momento em que acabamos de finalizar um dos principais eventos de Negócios, Tecnologia e Empreendedorismo do País. No último sábado (30), o auditório da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS) virou o centro do ecossistema de inovação e empreendedorismo feminino do nosso Estado. A escolha de centenas de pessoas, em sua maioria mulheres, de estarem ali, por si só, já diz muito sobre o momento que estamos vivendo.
O Ladies Summit chegou à sua quinta edição carregando mais do que uma programação. Carregou histórias, recomeços e a prova concreta de que, quando mulheres se encontram no lugar certo, algo no ecossistema se move.
A programação foi construída para provocar e inspirar. Dina Prates abriu o dia falando sobre o preço de empreender e o custo ainda maior de não tentar. Ela lembrou que ninguém tem o direito de definir quem a gente é, como deve agir ou em quais espaços precisa caber, porque o custo disso, na maioria das vezes, não é financeiro, mas recai sobre a nossa saúde mental.
Logo depois, Graziela Boscato, Eliana Weber e Ana Cristina Pastro Pereira dividiram o palco para contar como reposicionaram negócios familiares para o futuro. Histórias de coragem, de diálogo entre gerações, de saber quando mudar sem perder a essência. A manhã também trouxe uma conversa potente sobre sustentabilidade na prática, com Sheila Guebara e Liliane Gonzales, mostrando que crescimento sustentável não se constrói apenas com resultados, mas também com pessoas, cultura e propósito.
A tarde trouxe Helena Levorato com uma reflexão sobre autoinovação que, para ela, inovar o negócio sem inovar a si mesmo é como tentar rodar um software novo num hardware antigo. Sua provocação ficou no ar: o que precisamos desenvolver em nós mesmas para liderar um movimento alinhado ao nosso propósito?
Em um dos momentos mais emocionantes do evento, Miriam Santiago Krindges compartilhou sua trajetória de pioneirismo e recomeços, lembrando que ninguém ensina a reconstruir caminhos, mas que é possível aprendê-los. O encerramento ficou com Lilian Natal, que transformou sua palestra em um workshop coletivo. Em vez de respostas prontas, ela trouxe perguntas para provocar a construção de um plano de ação, feito ao vivo, em tempo real.
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Cinquenta mulheres subiram ao palco juntas, não como palestrantes, mas como sobreviventes. São as empreendedoras que participaram do Lift, programa de capacitação criado pelo Ladies in Tech em resposta às enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024. Durante dez semanas, essas mulheres reconstruíram mais do que seus negócios: reconstruíram planos, confiança e a certeza de que recomeçar é possível. Ver aquelas 50 histórias reunidas em um único palco é exatamente o tipo de coisa que reafirma por que esse instituto existe e por que ele precisa continuar crescendo.
Quando fundamos o Ladies in Tech, éramos quatro mulheres que se sentiam sozinhas em acelerações e eventos de tecnologia. Hoje, somos uma rede presente em mais de vinte estados, com mais de cinco mil mulheres impactadas. O evento é, a cada ano, a prova de que esse movimento é real e que ele só cresce porque cresce junto. Crescer sozinha é mais lento, e o que o sábado reafirmou é que, quando as pessoas certas se encontram no lugar certo, algo muda.
Aline Busch é empreendedora e co-fundadora do Instituto Ladies in Tech, primeira rede estruturada de apoio a mulheres empreendedoras em tecnologia do Rio Grande do Sul. Criadora da Softsec Lavanderia e da Colocker, startup de armários inteligentes, aborda temas sobre inovação, empreendedorismo feminino e mulheres na tecnologia.
