Claudete Corrêa

Seu cachorro late quando você sai? Entenda o motivo

Claudete Corrêa explica por que o latido é uma forma de comunicação e como observar o comportamento ajuda na convivência com os cães

O latido pode ser uma forma de comunicação e ajudar o tutor a entender o que o cão sente quando fica sozinho
O latido pode ser uma forma de comunicação e ajudar o tutor a entender o que o cão sente quando fica sozinho Foto : Magnific / Divulgação / CP

Você sai para trabalhar, deixa o cachorro em casa e passa o dia se perguntando se ele está bem. Talvez você já tenha recebido uma reclamação de um vizinho porque ele late, uiva ou arranha a porta quando fica sozinho. E, além da preocupação, talvez você ainda carregue uma culpa:

“Será que estou fazendo alguma coisa errada?”

Calma. Antes de pensar em como fazer seu cachorro parar de latir, precisamos entender por que ele está latindo.

O latido é uma forma de comunicação Cães não usam palavras para dizer o que sentem. Eles se comunicam pelo corpo, pelos sons e pelo comportamento.

Um cachorro pode latir para alertar sobre algo que percebeu, demonstrar excitação, pedir atenção, reagir a um estímulo do ambiente ou expressar desconforto e insegurança.

Por isso, o mesmo latido pode ter causas bem diferentes. É como se fosse uma mensagem que só faz sentido dentro de um contexto — e, antes de tentar silenciá-la, precisamos aprender a lê-la.

E quando ele late porque ficou sozinho?

Essa situação merece atenção especial. Alguns cães têm dificuldade para lidar com a ausência do tutor. Podem vocalizar e arranhar a porta — o mais comum e o mais barulhento —, andar de um lado para o outro, destruir objetos ou apresentar outros sinais de estresse, como lamber as patas em excesso. Para quem chega em casa depois de um dia inteiro de trabalho e encontra tudo bagunçado, a primeira reação pode ser pensar:

“Ele fez isso por birra, porque ficou sozinho.”

Mas nem sempre é isso que está acontecendo. O comportamento pode estar relacionado à dificuldade de lidar com a separação, à falta de previsibilidade, à ansiedade ou a outros fatores — que precisam ser observados caso a caso.

E aqui existe uma diferença importante: compreender não significa permitir.

Se o comportamento está prejudicando o bem-estar do cão, ou interferindo na vida da família e dos vizinhos, ele precisa ser trabalhado. Mas trabalhar não significa simplesmente fazer o cachorro parar — significa entender a causa, e ensinar a ele como lidar com aquela situação.

E você, que já tem tanta coisa para administrar?

Talvez você trabalhe o dia inteiro. Talvez tenha filhos. Talvez cuide da casa, da família, dos compromissos — e ainda tente encontrar um tempinho para o seu próprio descanso.

Por isso, não quero falar de uma rotina perfeita. Quero falar de uma rotina possível. Educar um cão não precisa virar mais uma cobrança na sua lista de responsabilidades. Pequenas mudanças na forma como você observa, conduz e se comunica com ele já podem fazer diferença. O primeiro passo é parar de olhar só para o comportamento que incomoda, e começar a perguntar:

“O que meu cachorro está tentando me dizer?”

Essa pergunta muda a relação. E, quando entendemos melhor o que está acontecendo, conseguimos buscar soluções mais adequadas — para o cão, para você, e para quem vive ao redor.

Para refletir

Antes de tentar fazer seu cachorro parar de latir, observe:

  • Quando ele late?
  • Em quais situações?
  • O que acontece antes?
  • Como ele se comporta durante e depois?

Observar é o primeiro passo para compreender.

Na próxima conversa...

Se o latido é uma forma de comunicação, existe outro comportamento que costuma assustar e ser rapidamente associado à agressividade: o rosnado. Mas será que todo cachorro que rosna está sendo agressivo? Porque, quando a convivência melhora, todos ganham.

Claudete Corrêa é educadora comportamental canina, adestradora, pet sitter e dog walker. Atua no universo pet há quatro anos, com foco em comportamento e na construção de uma convivência mais equilibrada entre cães e tutores.