Elisa Fernandez

Quer dançar comigo?

Elisa Fernandez provoca uma reflexão sobre tempo, medo e a coragem de se entregar

Esperar pelo momento ideal para ser feliz pode ser a forma mais sutil de perder a vida
Esperar pelo momento ideal para ser feliz pode ser a forma mais sutil de perder a vida Foto : Freepik

Cara leitora,

Você já pensou na volatilidade dos sentimentos e dos relacionamentos? Em um mundo digital e, obviamente, doente em função dele, li algumas matérias sobre o “dating burnout” que me chocaram. Sempre soubemos que relacionamentos não são feitos de caminhos de nuvens, mas até aí…

O uso excessivo de aplicativos de relacionamento pode causar estresse e afetar a saúde mental das pessoas, despertando sentimentos de ansiedade, depressão, solidão e desesperança. Pode isso? Pode. Basta você perceber que, cada vez mais, o que parece eterno pode desmoronar em um piscar de olhos. Mas, ao mesmo tempo, um instante pode se tornar algo inesquecível.

A tecnologia ajuda, e muito. Em alguns casos, funciona como um filtro, uma pré-seleção, gerando alguma economia de tempo. Mas e a sensação de estar em uma entrevista de emprego? A angústia de dar um “match” e a coisa não evoluir? Como administrar tantas frentes abertas de quem “atira para todos os lados”?

Verdade seja dita, ninguém vai preencher todos os seus pré-requisitos. Há histórias incríveis que nascem em aplicativos e as que nascem em jantares com amigos, encontros no supermercado e por aí afora. Continuamos vivendo momentos preciosos. Mas será que estamos vivendo esses instantes com a intensidade que eles merecem?

Mário Quintana dizia que “a vida é o dever que trouxemos para fazer em casa”. Passamos dias inteiros esperando por algo: a noite para descansar, o fim de semana para nos sentirmos livres, a conquista de um sonho para, enfim, sermos felizes. E, nesse compasso de espera, esquecemos que a vida acontece no agora. Cada segundo que deixamos passar sem estarmos inteiros nele é um tesouro que jamais será recuperado.

Quantas vezes renunciamos a uma chance, a um sentimento ou a alguém por puro medo? Medo de errar, de não ser suficiente, da distância e de nos machucar? Sempre que chove amor, parece que corremos para abrir o guarda-chuva. Mas o preço da felicidade é a coragem: coragem para abrir o coração, para ser vulnerável e para acreditar que, ainda que seja por 24 horas, um momento com alguém que nos toca a alma pode transformar nossa história.

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Em Tempos Modernos, o genial Lulu Santos, na década de 80, já profetizava:

“Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir
”

Não se permita perder as pessoas que fazem seus olhos brilharem por medo de recomeçar ou de viver algo diferente. Use a página em branco do seu caderno da vida antes que ele acabe. O universo, em sua sabedoria, nos dá novos começos. Se alguém faz seu coração vibrar e coloca para tocar Maluma dizendo que acorda ouvindo música para alegrar o dia, DANCE. Talvez a sua nova história seja a mais bonita que você já escreveu.


Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.