Olá, leitoras!
Estamos na semana do dia 20 de novembro que, pela segunda vez aqui no RS e em outros 25 estados brasileiros, será feriado nacional. Vale lembrar que a celebração da Consciência Negra foi proposta em Porto Alegre, em 1971, pelo Grupo Palmares.
A ideia nasceu do poeta e ativista Oliveira Silveira, que buscava uma data para destacar a resistência negra e contrapôr-se à narrativa de que a Princesa Isabel teria sido a única responsável pela abolição. No entanto, a oficialização do feriado nacional ocorreu apenas em 2023, por meio da Lei 14.759
É claro que a luta é o ano todo, mas ter um dia como marco é importante, porque ele cria um momento de muita reflexão — não apenas para nós, pessoas Negras, mas também para quem ainda não enxerga nossa potência e há quanto tempo seguimos resistindo nesse cenário.
O Dia da Consciência Negra não é apenas uma data de memória; é também um marco de reafirmação para milhares de mulheres negras que transformam suas histórias em força empreendedora. Celebramos Zumbi dos Palmares e a luta por liberdade, mas também as trajetórias atuais que continuam rompendo barreiras e criando caminhos de autonomia diariamente, representadas por meninas e mulheres há muitas gerações.
Vamos a realidade das empreendedoras negras no Brasil
Mesmo com avanços, os desafios permanecem profundos. Segundo indicadores recentes da PNAD/IBGE analisados pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), mulheres negras seguem entre as principais afetadas pela informalidade, pelo desemprego e pela baixa renda.
Negócios liderados por mulheres negras costumam ter menos acesso a formalização, crédito e redes de apoio o que limita crescimento, mesmo diante de enorme potencial e, claro, com cenários adversos como pandemia e as enchentes.
Alguns dados reforçam esse cenário:
• 52% dos empreendedores no Brasil são negros, e grande parte é formada por mulheres;
• 82% dos empreendedores negros atuam sem CNPJ, indicando alta informalidade e baixo acesso a investimentos;
• A renda média do empreendedor negro é 32% menor que a de empreendedores brancos;
• Nos últimos 10 anos, o empreendedorismo negro cresceu 22% no país — sinal de expansão, mas ainda com desigualdades persistentes;
• Durante a pandemia, 36% das empreendedoras negras tiveram seus negócios interrompidos, e 58% das que solicitaram crédito não conseguiram aprovação.
Os números mostram que empreender, para mulheres negras, muitas vezes é uma forma de resistência, mas também um movimento de criação de novas possibilidades.
O Dia da Consciência Negra é essencial pois reafirma a nossa história, lembrar que a construção de riqueza negra no Brasil é atravessada por séculos de exclusão, e que ocupar o empreendedorismo é também reivindicar espaço, voz e permanência.
Data importante também pela visibilidade às nossas potências mulheres negras que empreendem com criatividade, inovação e forte impacto social, muitas vezes sustentando redes, comunidades e famílias inteiras. A data ainda fortalece políticas e redes de apoio, chamando a atenção para a urgência de crédito acessível, formação, mentorias e ecossistemas que acolham as empreendedoras negras.
Espaços como esse para minha coluna que escrevo com muito carinho e feliz por estar nesse espaço e inspirar as próximas gerações, pois quando uma mulher negra empreende, muitas meninas passam a acreditar que também podem.
A data também é um convite para fortalecer negócios liderados por pessoas negras. Trouxe aqui alguns empreendedores da minha rede que tenho muito carinho e que representam potência, criatividade e identidade, todos acessíveis para quem quiser conhecer, consumir e apoiar:
✨ Griô Burger – Lanches artesanais com identidade cultural, valorizando sabores e ingredientes afetivos.
✨ ITANAJARA Beauty – Salão referência em beleza preta, especializado em cuidados, autoestima e ancestralidade.
✨ Val Lacerda Acessórios – Marca autoral que traduz personalidade e expressão em acessórios únicos.
✨ Confia Lentilha Fotografia – Fotografia com olhar sensível, político e estético sobre pessoas, territórios e narrativas negras.
✨ Centro empodera – Especialista em elevar autoestima na área de estética da pele negra.
Apoiar esses negócios é uma forma direta e concreta de promover equidade econômica e fortalecer o ecossistema empreendedor negro e aproveito para destacar o trabalho da Mais Afro uma vitrine que vem destacando profissionais negros em todo Brasil.
Gostou? Agora, que tal transformar consciência em ação?
👉 Visite ou consuma de empreendedores negros
👉 Compartilhe seus trabalhos
👉 Contrate mulheres negras como mentoras, parceiras ou fornecedoras
👉 Promova espaços de escuta, formação e acesso
👉 Cada gesto, contribui para redes mais fortes, mais diversas e mais justas
Um abraço da empreendedora negra que escreve aqui para vocês com muita dedicação, luta, resistência e todos elementos adversos possíveis que por vezes nos testam em desistir!
Deixem nos comentários nomes potentes de empreendedoras que vocês conhecem!
Lu Brito é mãe, empreendedora há mais de nove anos e CEO do espaço kids Gurizada Faceira. Atua como gestora de projetos e comunidade no ecossistema de inovação, gestora de projetos na B2Mamy e mentora de startups. Também é líder de inovação e articulação na Odabá - Associação de Afroempreendedores do RS.