Seu estilo não nasce pronto, ele é construído. E, mais do que isso, ele é sentido e vivido.
Quando eu paro para pensar na falta de unidade quando estamos enxeridos em bolhas sociais, logo eu começo a refletir sobre estilo pessoal e como a gente consegue ter algo só nosso…
Existe uma ideia muito difundida de que estilo está diretamente ligado às nossas roupas, às tendências ou ao que está em alta nas passarelas. Algo que ficou legal na minha amiga ou inspiração, vai ficar legal em mim também.
Mas a verdade é que o estilo começa muito antes do guarda-roupa. Ele se forma a partir do repertório que você constrói ao longo da vida: os lugares que frequenta, as músicas que escuta, os filmes que te atravessam, as pessoas que te inspiram e, principalmente, as experiências que te marcam.
Tudo aquilo que você consome: cultural, emocional e até socialmente, vai moldando a forma como você se expressa no mundo. O estilo, nesse sentido, deixa de ser algo superficial e passa a ser uma linguagem. Uma extensão silenciosa de quem você é e acaba comunicando ao mundo através daquilo que veste.
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E talvez a forma mais pura de entender isso tudo que estou falando esteja nas crianças e como se vestem com alegria. Elas misturam cores sem medo, escolhem o que gostam sem se preocupar com regras ou julgamentos.
Há leveza, espontaneidade e verdade em cada combinação. Mas, à medida que vamos crescendo e ficando mais velhos, algo muda: as cores vão sumindo, os tons neutros passam a dominar. Muitas vezes, aquela liberdade dá lugar a padrões mais contidos, em busca de uma validação: seja por influência social, profissional ou até por insegurança.
É por isso que duas pessoas podem usar peças semelhantes e, ainda assim, transmitirem mensagens completamente diferentes. Porque o estilo não está apenas na roupa, mas na intenção, na vivência e na história por trás de cada escolha. Ele é resultado do que você sente, do que você acredita e do que você quer comunicar, mesmo que sem palavras.
Desenvolver um estilo próprio exige mais do que seguir referências: exige autoconhecimento. É preciso olhar para dentro antes de olhar para fora. Entender o que faz sentido para você, o que te representa e o que te faz sentir confortável, não apenas fisicamente, mas emocionalmente também.
No fim das contas, estilo não é sobre se encaixar. É sobre se reconhecer.
E talvez seja justamente isso que o torna tão único: ninguém pode copiar exatamente aquilo que você viveu. Portanto, ninguém pode reproduzir o seu estilo de forma autêntica. Porque ele é, acima de tudo, uma soma da sua trajetória.
Vestir-se, então, deixa de ser um ato automático e passa a ser uma forma de contar a própria história, todos os dias, sem precisar dizer uma única palavra.
Marina Käfer é formada em Design de Moda e pós-graduada em Comportamento do Consumidor e Moda, Mídia e Mercado. Já foi professora consultora de varejo em instituições como Senac e Sebrae. Tem especializações em styling, jornalismo de moda e visagismo, com experiência no mercado plus size.
