Agressividade e raiva anormais podem ser indícios de transtorno mental

Conheça a “Síndrome de Hulk”, transtorno caracterizado por episódios de impulsos agressivos sem grandes motivações

Os episódios duram cerca de 30 minutos e, em muitos casos, os gatilhos não são facilmente identificáveis
Os episódios duram cerca de 30 minutos e, em muitos casos, os gatilhos não são facilmente identificáveis Foto : Nataliya Vaitkevich / Reprodução / CP

Já ouviu falar na Síndrome de Hulk ou Transtorno Explosivo Intermitente (TEI)? Este é um transtorno mental que se caracteriza por comportamentos agressivos e descontrolados ou violência exacerbada às situações.

“O TEI se manifesta por reações desproporcionais a situações cotidianas, como perder as chaves ou ser fechado no trânsito”, explica o psicólogo Filipe Colombini, CEO da Equipe AT, empresa com foco em acompanhamento terapêutico.

“Essas reações podem incluir ataques de raiva, taquicardia, sudorese, pupilas dilatadas e impulsos agressivos, tanto físicos como verbais”, diz.

Em média, os episódios duram cerca de trinta minutos e, em muitos casos, os gatilhos não são facilmente identificáveis, o que dificulta a compreensão e o controle da pessoa afetada. Muitas vezes, o indivíduo afetado pode se sentir envergonhado, depressivo ou angustiado após a crise.

Com uma prevalência maior entre homens, o TEI pode ter início na infância ou adolescência e persistir até a fase adulta. Além dos sintomas físicos e emocionais, o especialista diz que “as consequências do transtorno refletem em diversas áreas da vida do indivíduo e prejudica sua qualidade de vida e interações sociais.”

Além disso, o psicólogo alerta para a tendência ao envolvimento em situações que podem levar complicações sob o ponto de vista legal e até mesmo à prisão, motivado pelo transtorno.

Como deve ser o tratamento para o TEI?

A psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), é uma das abordagens mais recomendadas para o tratamento do TEI. Segundo Colombini, “a TCC ajuda a desenvolver habilidades de regulação emocional e controle dos impulsos. São utilizadas técnicas específicas, como respiração, relaxamento e estratégias para a identificação e manejo de gatilhos”.

Também é possível associar o uso de medicamentos prescritos por um médico psiquiatra, para ajudar a reduzir a intensidade dos impulsos agressivos.

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Além disso, técnicas como o uso de banhos gelados, manipulação de gelo e exercícios físicos podem contribuir para a diminuição da frequência cardíaca e regulação emocional.

O especialista também aponta a importância de um acompanhamento terapêutico (AT), que propõe intervenções fora do consultório, em ambientes familiares ao paciente, para o desenvolvimento de habilidades práticas.

“O tratamento adequado não só melhora a qualidade de vida do paciente como também previne situações perigosas e protege as pessoas ao seu redor”, diz o psicólogo.

“Na ausência de tratamento, o transtorno pode levar a um isolamento crescente, conflitos familiares, e, em casos mais graves, a ideias de autoagressão e suicídio”, finaliza.