Mãe de primeira viagem: o que muda antes e depois do parto

No Dia das Mães, especialistas explicam cuidados da gestação ao puerpério e reforçam a importância da rede de apoio

Pré-natal, puerpério e rede de apoio estão entre os cuidados indicados para mães de primeira viagem
Pré-natal, puerpério e rede de apoio estão entre os cuidados indicados para mães de primeira viagem Foto : Freepik / Divulgação / CP

A primeira maternidade costuma ser acompanhada por dúvidas que começam antes da gestação e seguem depois do nascimento do bebê. Às vésperas do Dia das Mães, especialistas destacam que o cuidado com a mulher precisa envolver planejamento, pré-natal, atenção ao puerpério e rede de apoio, especialmente em uma fase marcada por mudanças físicas, emocionais e familiares.

Segundo a médica ginecologista e obstetra Larissa Volpini, membro da diretoria da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG), o corpo da mulher passa por transformações intensas durante a gravidez. As mudanças acontecem de forma progressiva e envolvem todo o organismo, com sintomas que podem incluir cansaço, náuseas, alterações no apetite, desconfortos físicos e oscilações de humor.

De acordo com a especialista, o cuidado deve começar antes da concepção, com avaliação pré-concepcional, realização de exames, atualização da vacinação, acompanhamento de doenças pré-existentes, adoção de hábitos saudáveis e suplementação com ácido fólico. “O ideal é engravidar com a saúde em dia. Isso inclui alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do peso e evitar substâncias como álcool e cigarro”, orienta Larissa.

A médica também chama atenção para mitos ainda presentes em torno da gravidez. A gestação, explica, não exige repouso absoluto nem aumento exagerado da alimentação. A recomendação, salvo em situações específicas, é manter uma rotina saudável, com atividade física orientada e acompanhamento pré-natal regular.

O que toda mãe de primeira viagem precisa saber

O cuidado começa antes da gestação

Entre as principais orientações para quem vive a maternidade pela primeira vez está entender que o cuidado não começa apenas no nascimento do bebê. A preparação anterior à gestação pode ajudar a identificar fatores de risco, ajustar tratamentos, revisar vacinas e organizar hábitos que contribuem para uma gravidez mais segura.

Gravidez não significa comer por dois

Um dos mitos ainda associados à gestação é a ideia de que a mulher precisa “comer por dois” ou evitar qualquer esforço físico. Segundo Larissa, a recomendação é manter alimentação equilibrada, praticar atividade física quando houver liberação médica e seguir o pré-natal de forma regular.

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Alguns sinais exigem atendimento médico

Durante a gravidez, sangramento vaginal, dor de cabeça intensa e persistente, alterações visuais, falta de ar, saída de líquido pela vagina e redução dos movimentos do bebê são sintomas que devem ser avaliados por um profissional de saúde.

“É importante que a gestante saiba diferenciar o que é esperado do que pode ser sinal de alerta. Na dúvida, a orientação é sempre procurar atendimento”, reforça Larissa.

O puerpério também precisa de atenção

Depois do parto, a atenção costuma se voltar quase exclusivamente ao recém-nascido. No entanto, a recuperação física, a adaptação emocional, o cansaço, as dúvidas sobre amamentação e a reorganização da rotina também exigem cuidado com a mãe.

Para Tatiane Dias de Oliveira, doula pós-parto, babá profissional e especialista em cuidados com o recém-nascido, conhecida como Nanny Thaty, tornar-se mãe não é um processo tão automático quanto muitas vezes se imagina.

“É um momento único na vida de uma mulher, e como tudo, é preciso que haja preparo para lidar com essa nova empreitada, por meio de estudo e dedicação”, afirma.

A mãe também precisa ser cuidada

Com a chegada do bebê, a mulher passa a lidar com uma rotina de alta demanda. Sono interrompido, recuperação do corpo, amamentação, consultas, inseguranças e mudanças na vida familiar podem provocar sensação de exaustão e insuficiência.

Nanny Thaty observa que um dos maiores desafios das mães de primeira viagem é lidar com a avalanche de sentimentos desse período. Medo, ansiedade e nervosismo podem aparecer justamente quando a mulher sente que deveria saber o que fazer o tempo todo.

A especialista também alerta para o risco de a mulher deixar de se perceber para além da função materna. Com a rotina voltada aos cuidados com o bebê, o autocuidado pode ficar em segundo plano. A orientação é ajustar pequenos hábitos à nova realidade, como tomar banho, trocar de roupa, descansar quando possível, retomar movimentos físicos após liberação médica e pedir ajuda quando necessário.

Rede de apoio não é luxo

A maternidade não precisa ser vivida de forma solitária. Parceria, familiares, amigos e profissionais especializados podem ajudar tanto nos cuidados com o recém-nascido quanto na recuperação física e emocional da mãe.

Para Nanny Thaty, contar com suporte tem impacto direto na adaptação da família depois do nascimento de um filho. Esse apoio ajuda a criar um ambiente mais acolhedor e seguro para a mãe, para o bebê e para as pessoas envolvidas nos cuidados.

Segundo Larissa, buscar ajuda e entender que nem tudo será perfeito o tempo todo faz parte de uma experiência mais saudável. “A maternidade é um processo intenso e não precisa ser vivido de forma solitária”, afirma.