Especialista aponta caminhos para uma indústria de cosméticos mais sustentável

Professora de Estética e Cosmética explica como a indústria pode assumir a responsabilidade completa do produto, da origem ao descarte

Uma das frentes mais promissoras da sustentabilidade em cosméticos é o reaproveitamento de resíduos naturais
Uma das frentes mais promissoras da sustentabilidade em cosméticos é o reaproveitamento de resíduos naturais Foto : Freepik

A indústria de cosméticos está passando por uma verdadeira transformação. E a mudança vai muito além do rótulo. A preocupação agora não é apenas prometer pele radiante ou cabelos mais fortes, as marcas estão sendo desafiadas a entregar algo ainda mais essencial: respeito ao planeta.

É impossível ignorar o impacto que nossos hábitos de consumo têm sobre o planeta. E no universo dos cosméticos, a consciência ambiental vem ganhando cada vez mais espaço. A professora de Estética e Cosmética da Fadergs Claudete Carvalho explica que a sustentabilidade na beleza não é mais uma tendência, mas um caminho necessário. “Estamos repensando o papel da indústria. Sustentabilidade, nesse contexto, significa assumir a responsabilidade pelo ciclo completo do produto, da origem dos ingredientes até o descarte da embalagem”, explica.

✨ Beleza sustentável

É comum confundir o que é sustentável com o que é simplesmente natural. No entanto, a sustentabilidade exige um olhar mais amplo e criterioso. Envolve desde a origem das matérias-primas, os impactos da extração e produção, até o descarte final do produto. Um cosmético pode ser feito com ingredientes naturais, mas, se sua produção for altamente poluente ou se suas embalagens forem descartadas de forma inadequada, ele não é sustentável. “Nem tudo que é natural é sustentável, e nem tudo que é sintético é ruim. A análise precisa considerar todo o ciclo de vida do produto”, destaca a professora.

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⏱ Os desafios

Avançar rumo à sustentabilidade exige mudanças estruturais. Para Claudete, os principais obstáculos ainda estão relacionados ao custo e ao tempo necessário para implementar essas transformações.“Estamos caminhando para esse cenário mais sustentável, mas ainda existem desafios grandes. O principal é tornar esse modelo acessível e viável em um curto prazo. Isso exige investimentos, inovação e, principalmente, conscientização”, explica.

Hoje, a sustentabilidade muitas vezes encarece o produto final. Isso dificulta o acesso e cria uma falsa ideia de que ser sustentável é um privilégio, quando na verdade deveria ser uma prática comum e universal.

♻ Um novo ciclo para os resíduos

Uma das frentes mais promissoras da sustentabilidade em cosméticos é o reaproveitamento de resíduos naturais. Em vez de simplesmente extrair novas matérias-primas, muitas empresas estão investindo em soluções criativas para reutilizar o que antes era descartado. “Há um movimento forte para reaproveitar resíduos da indústria alimentícia, por exemplo. Cascas de frutas, sementes e outros subprodutos estão sendo transformados em ativos cosméticos”, conta Claudete.

Essas sementes, além de nutritivas, podem ser usadas como esfoliantes naturais, substituindo microplásticos que, até pouco tempo atrás, eram comuns em sabonetes e cremes, mas que hoje estão sendo proibidos em muitos países devido ao impacto ambiental.

💄 As embalagens

Plásticos descartáveis, excesso de material e embalagens que não são recicladas agravam o problema do lixo no planeta. A boa notícia é que isso está mudando rápido. “Hoje, muitas indústrias já adotam embalagens biodegradáveis, refis e designs que reduzem o volume de resíduos”, destaca a docente. “É um movimento que vem ganhando força e se tornando quase um novo padrão.”

Além disso, há um investimento crescente em materiais compostáveis, que se decompõem naturalmente e não deixam resíduos tóxicos no solo. Segundo Claudete, esse avanço é impulsionado por metas globais como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que mobilizam empresas de todos os setores.