O Minas Trend chega à 35ª edição com um discurso que combina mercado, identidade regional e reposicionamento de marcas. Marcado para os dias 14 a 16 de abril, no BH Shopping, em Belo Horizonte, o evento deve reunir mais de 100 marcas dos segmentos de vestuário, acessórios, calçados e moda infantil, com expectativa de movimentar R$ 33 milhões em negócios. A proposta desta temporada, batizada de Ecos, reforça o salão como vitrine comercial e espaço de circulação de tendências.
Além da agenda voltada à coleção primavera-verão 2027, o evento chega embalado por números que ajudam a sustentar sua relevância dentro da cadeia produtiva mineira. Segundo dados da organização, Minas Gerais mantém posição de destaque no setor de moda, com 8.497 empresas, mais de 117 mil empregos diretos e participação de 12,4% nas empresas de moda do Brasil e de 10,9% nos empregos da indústria nacional. A expectativa também é de receber cerca de 5 mil visitantes nos três dias de programação.
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Uma das narrativas mais fortes desta edição é a volta de marcas que já tiveram trajetória no evento e retomam agora seus espaços em estandes e passarelas. É o caso da Bianza, de Belo Horizonte, que associa o retorno ao reposicionamento da marca, e da gaúcha Maria Pavan, fundada em Porto Alegre, que volta após algumas edições afastada. “Esse evento maravilhoso. A oportunidade de mostrarmos nossos produtos e o talento para lojistas do Brasil inteiro. Sempre uma vitrine para marcas e lojistas. Quando falamos em feira de moda, do Sul ao Norte, todos se recordam do MW”, assegura a diretora criativa, Mariana Pavan.
Também aparecem entre os destaques marcas já consolidadas no salão, como Bibe, no segmento infantil, além da Plural e da Renata Campos, que reforçam o peso do Minas Trend como ambiente de relacionamento, vendas e afirmação da moda mineira.
O evento aparece menos como simples feira e mais como ponto de validação comercial. Para as marcas, estar no Minas Trend significa falar diretamente com lojistas de várias regiões do País, ampliar visibilidade e abrir espaço para novas parcerias. Essa leitura ajuda a explicar por que o retorno ao salão ganha valor simbólico. Em um mercado pressionado por concorrência, importações e dificuldade de retenção de mão de obra, voltar a ocupar esse território tem peso estratégico.
A edição de 2026 também amplia a vitrine para fora de Minas. Alagoas, por exemplo, chegará ao evento com 10 marcas, seis delas reunidas no estande coletivo Conceito Alagoas. A presença alagoana leva ao salão produções ligadas à renda singeleza, ao crochê e a bordados como o filé, do Pontal da Barra, em uma aposta que une artesanato, identidade cultural e inserção de mercado. Segundo o sindicato do setor no estado, a participação no Minas Trend ocorre desde 2015 e vem crescendo como estratégia de projeção nacional para as marcas locais.
O pano de fundo econômico também ajuda a explicar o fôlego do evento. Dados citados pela Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais (FIEMG) indicam saldo positivo de empregos formais no setor têxtil no início de 2026, tanto no Brasil quanto em Minas Gerais. No estado, janeiro fechou com saldo de 338 postos de trabalho, enquanto a participação mineira no saldo nacional do setor subiu de 8,7% para 10,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
*Com informações da Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
