Modernização da maquiagem em “Bridgerton” reflete visagismo

Quarta temporada rompe com estética natural dos episódios anteriores, favorecendo um estilo de make mais contemporâneo

Maquiagem da Rainha Charlotte, interpretada por Golda Rosheuvel, exibe efeito natural
Maquiagem da Rainha Charlotte, interpretada por Golda Rosheuvel, exibe efeito natural Foto : Netflix / Divulgação / CP

A maquiagem dos personagens da quarta temporada da série “Bridgerton” se afastou do estilo apresentado nas temporadas anteriores. Mais modernas, as makes acompanham a tendência do visagismo, técnica que se baseia nas características específicas de cada pessoa para definir a melhor maquiagem para cada rosto.

Retrato fictício da alta sociedade britânica do século XIX, a modernização das maquiagens gerou estranhamento por entrar em conflito com a narrativa histórica do período regencial. O maquiador e caracterizador Anderson Bueno analisa como a estética de Bridgerton se distancia do rigor histórico para adotar elementos contemporâneos e compor personagens no contexto do entretenimento atual.

“A análise técnica da caracterização aponta elementos que reforçam a estética contemporânea em detrimento do rigor histórico de 1815”, declara Anderson. “O uso de sobrancelhas densamente marcadas, cílios alongados com destaque e técnicas de contorno facial remete diretamente às tendências atuais de tapetes vermelhos, contrastando com o naturalismo esperado para os bailes da era regencial”, acrescenta.

✨ Luminosidade natural

Prioridade estética das maquiagens contemporâneas, a luminosidade natural da pele busca associar as personagens da série a sua posição social de destaque. “O objetivo é conferir um aspecto radiante e saudável, remetendo ao prestígio visual das protagonistas da aristocracia”, comenta Anderson.

O maquiador explica que a técnica em destaque é a pele invertida. Ela prioriza uma preparação intensiva da pele, com hidratação profunda e produtos iluminadores antes da aplicação de qualquer cobertura de alta pigmentação.

Para quem deseja seguir a tendência, Anderson alerta que a aplicação excessiva desses produtos pode comprometer o resultado final. Ao invés do viço natural desejado, pode gerar aspecto de oleosidade.

✨ Visual “no makeup”

O minimalismo estético de Sophie Baek, personagem interpretada por Yerin Ha, destaca-se pela proposta do visual “no makeup”, que simula a ausência de maquiagem. Focada em uma aparência natural e leve, a técnica realça os traços de beleza já existentes no rosto.

Caracterização de Sophie Baek destaca-se adota o visual “no makeup” | Foto:

Segundo Anderson, a composição visual prioriza uma pele fresca e bem cuidada, que, embora transmita simplicidade, mantém a elegância e o refinamento exigidos pela posição social da personagem. O resultado é uma estética equilibrada que une a modernidade do viço natural ao rigor da sofisticação clássica.

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✨ Uso estratégico de iluminadores

A evolução estética de Penelope Featherington, interpretada por Nicola Coughlan, mantém a sofisticação estabelecida no arco de transformação que ganhou na terceira temporada. Na quarta temporada, a caracterização da personagem utiliza contornos suaves que estruturam o rosto sem perder a naturalidade.

Aspecto natural da maquiagem de Penelope Featherington combina paleta de tons pêssegos nos lábios | Foto: Netflix / Divulgação / CP

O uso estratégico de iluminadores é o elemento central do visagismo, conforme aponta Anderson. Na pele de Penelope, eles conferem um viço que simboliza sua nova fase de autoconfiança e relevância social. “O conjunto técnico reflete a transição da personagem para uma estética mais polida e luminosa, alinhada ao seu papel de destaque na narrativa”, pontua.

✨ Liberdade estética

Sendo uma obra de ficção, a caracterização do estilo que remete ao período histórico retratado em Bridgerton tem liberdade criativa para priorizar os elementos mais relevantes na identidade visual de cada personagem.

A suavização estética estava prevista antes do início da temporada, como revelou a maquiadora-chefe da produção, Nic Collins, em entrevista à Vogue Portugal. Ao mesmo tempo, a utilização intensiva de iluminadores distancia-se da sutileza tradicionalmente associada ao conceito de suavidade na maquiagem clássica, tornando-a mais próxima da modernidade.