Mais do que a perda de um estilista, a morte de Valentino Garavani, confirmada ontem (19) pela Fondazione Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, marca o fim de uma era de ouro da moda do século XX. O designer, que faleceu em sua casa em Roma aos 93 anos, deixa uma herança que transcende as passarelas: ele construiu a própria imagem da elegância italiana no mundo.
Enquanto contemporâneos flertavam com a desconstrução e o minimalismo, Valentino manteve-se, até sua aposentadoria em 2008, como um guardião da beleza clássica. Seu legado é alicerçado na crença inabalável de que a função primordial da moda é embelezar a mulher, uma filosofia que lhe rendeu a alcunha de "O Último Imperador".
A invenção do "rosso"
Poucos criadores na história conseguiram se apropriar de uma cor. O legado visual de Valentino é indissociável do "Rosso Valentino", um tom vibrante de vermelho de uma mistura precisa de carmim, púrpura e cádmio que se tornou sua assinatura. Para o estilista, o vermelho era a única cor com força vital suficiente para competir com o preto e o branco. Sua máxima, "uma mulher vestida de vermelho nunca erra", tornou-se um mantra fashion que perdurará por gerações.
O estilista da história
A relevância de Valentino é medida não apenas pelas roupas, mas por quem as vestiu em momentos importantes da história. O estilista não apenas vestiu celebridades; ele vestiu ícones de poder.
Seu trabalho ganhou projeção histórica ao vestir Jacqueline Kennedy. Foi Valentino quem desenhou o vestido para o casamento da ex-primeira-dama com Aristóteles Onassis, em 1968, além de ter criado todo o guarda-roupa de luto usado por ela após o assassinato de JFK.
Em Hollywood, seu legado de glamour vestiu desde a realeza do cinema clássico, como Elizabeth Taylor e Sophia Loren, até estrelas contemporâneas como Julia Roberts, que recebeu seu Oscar em 2001 a bordo de um Valentino "vintage", provando a atemporalidade de suas criações.
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Uma parceria de vida e negócios
O império Valentino não seria o gigante global que é hoje sem a visão estratégica de Giancarlo Giammetti. Sócio e companheiro de vida do estilista, Giammetti foi fundamental na construção da marca, permitindo que Valentino focasse exclusivamente na criação artística. Juntos, eles foram pioneiros na "logomania" de luxo, transformando o "V" da marca em um símbolo de status desejado globalmente.
A Maison Valentino sobreviveu à aposentadoria de seu fundador em 2008, marcada por um desfile triunfal em Paris, e continua sendo uma das casas mais influentes do mundo. O falecimento de seu fundador cristaliza o mito de um homem que dedicou quase um século a tornar o mundo, nas palavras da própria fundação, um lugar de "beleza e excelência inigualáveis".
