Porto Alegre viveu uma semana marcante com a estreia do POAFW, que reafirmou a importância da Capital gaúcha como polo criativo no cenário da moda nacional. Com um objetivo claro de retomar o protagonismo no universo fashion, o evento não só cumpriu sua missão como superou expectativas ao reunir grandes nomes da moda e promover diálogos importantes para o setor diante de uma plateia lotada.
Os talks foram destaque na programação, que ocorreu de 25 a 27 de março. Na abertura, o diretor geral Paulo Borges, idealizador do São Paulo Fashion Week, contou detalhes do início de sua trajetória como assistente da jornalista Regina Guerreiro, conhecida por transformar a crítica de moda no Brasil.
De acordo com ele, o que torna o POAFW único é a conexão com o mercado local. São mais de 60 marcas de moda distribuídas em três dias. “O desfile é o último guardião da narrativa criativa das marcas”, ressaltou Borges, que também é presidente do Instituto Nacional de Moda, Design e Economia Criativa (INMODE).
Um dos principais estilistas brasileiros, o paraense Lino Villaventura abriu a noite de desfiles e superou as expectativas do público, apresentando uma coleção rica em detalhes, com brilhos e cores vibrantes.
“Para minha surpresa, tinha um número importante de pessoas, apesar do horário. E eu acho que elas gostaram, senti uma vibração boa e fiquei feliz. Quero voltar sempre que me chamarem, me sinto muito bem aqui [em Porto Alegre]”, disse.
A programação seguiu com a coleção de outono-inverno da Pompéia, destacando peças de alfaiataria. A Gang trouxe tendências do street style, com moletons e camisetas. Já a C&A dominou a passarela com tons de azul e sobreposições. A noite foi encerrada com um desfile composto por diversas marcas femininas do Iguatemi, misturando o clássico preto e branco com brilho e acessórios maximalistas.
O talk com Lino Villaventura deu início à programação de quarta-feira no POAFW. Na noite de desfiles, um conjunto de marcas do universo esportivo marcou presença, com cores neon e sobreposições ousadas. Em seguida, o desfile masculino apresentou o estilo “nerd” moderno reinterpretado com sofisticação. Depois, foi a vez da Riachuelo dominar o espaço com uma atmosfera de natureza e tons terrosos. Finalizando o segundo dia, as marcas internacionais dialogaram com o futuro por meio de uma estética voltada para a inovação.
Ícone da moda internacional, a gaúcha Shirley Mallmann participou do último dia desfilando e conversando com o público sobre o legado que carrega. Para ela, estar no evento que celebra a criatividade local é motivo de orgulho.
Mesmo com 30 anos de carreira, ela conta que ainda sente um “friozinho na barriga” antes de entrar na passarela. Para lidar com a adrenalina, costuma recorrer à meditação como forma de se concentrar em meio ao caos do backstage. “Eu procuro focar na minha respiração e tento excluir todo o barulho em volta”, disse.
Marcas femininas do shopping abriram a última noite de desfiles com tons terrosos, padronagens clássicas e detalhes em animal print. Já a Renner incorporou tendências das passarelas internacionais. Com diversidade de cores e corpos, a Ashua apresentou looks casuais com influências do estilo boho; enquanto a Youcom destacou sobreposições e muito jeans; e a Boss exibiu looks para estilos variados dentro de uma mesma paleta de cores.
O desfile mais esperado era o do estilista mineiro Luiz Claudio, do Apartamento 03. A coleção "O Nobre Azul" fez um resgate à ancestralidade brasileira e encerrou o POAFW deixando o público emocionado e aplaudindo de pé.
Com uma identidade de moda rica como a brasileira, os resultados do POAFW não poderiam ser diferentes de excepcionais. Diante de uma plateia lotada e engajada em todas a programação, o evento funcionou como núcleo de troca de informações, conquistando também o coração do público de diferentes gerações.
Confira a galeria com os destaques do evento:
Destaques POAFW
*Sob supervisão de Camila Souza
