Veja como foi o primeiro dia da 56ª edição da Casa de Criadores

Com programação de desfiles até 27 de julho, evento promove novos talentos da moda autoral brasileira em São Paulo

O preto foi a tonalidade mais frequente entre as peças desfiladas no primeiro dia
O preto foi a tonalidade mais frequente entre as peças desfiladas no primeiro dia Foto : Casa de Criadores / Divulgação / CP

Foi dada a largada para a programação da Casa de Criadores n56, em São Paulo. No primeiro dia da nova edição do evento, quatro marcas desfilaram no Centro Cultural São Paulo. Dentre os presentes, a CdC levou estreantes e veteranos da moda para a passarela.

Confira os destaques das novas coleções apresentadas:

✨ Fábia Bercsek

A estilista marca seu retorno às passarelas com um desfile autoral que ultrapassa os limites da moda para propor um gesto artístico de reconstrução, crítica e imaginação radical. Fábia convida o público a transformar o olhar para o seu entorno e olhar com outros olhos o que foi deixado de lado, mas ainda pulsa.

Mais do que uma coleção, o desfile é uma travessia simbólica: uma leitura poética sobre o ato de vestir em tempos de excesso, velocidade e descarte. Inspirada pelas Exposições Universais do século XIX — vitrines da Revolução Industrial onde o mundo era exibido e fetichizado sob a promessa do progresso — Fábia subverte a lógica. Em vez de exaltar o novo como ruptura, parte daquilo que já existe: peças esquecidas em estoques silenciosos e vestígios de matéria à espera de um novo sentido.

Cada roupa ganha camadas de significado por meio de processos manuais e experimentações de superfície: ilustrações, costuras expostas e acabamentos artesanais. A estética se aproxima do steampunk e da ficção científica, mas é atravessada por espiritualidade e crítica — um cruzamento entre o que é visível e o que se intui. A passarela torna-se um espaço de colagem e fabulação, onde tempos e linguagens se entrelaçam para contar novas histórias.

“Desde que retomei o trabalho com vestuário, inseri esse contexto diretamente na minha prática artística. A moda é uma extensão da minha linguagem criativa. Estou mais próxima da figura da garimpeira: coleto, aproprio-me, misturo e dou forma. Faço algo de valor a partir daquilo que foi esquecido ou descartado. E hoje, no meio de uma nova revolução — digital, invisível — isso me parece ainda mais urgente”, afirma a criadora.

| Foto: Casa de Criadores / Divulgação / CP

✨ Lucas Caslú

O espetáculo Experimentos, (uma união de moda, arte e música), nasceu de uma imersão no repertório criativo de Lucas Caslú. Ao revisitar croquis antigos, peças já produzidas e registros de experimentações, o artista reuniu elementos distintos que se conectam em composições visuais inesperadas.

Diferente de sua coleção anterior, marcada por transições sutis, esta aposta em rupturas marcantes. Cada look possui identidade própria, resultado da fusão entre técnicas têxteis e expressões artísticas.

A nova coleção combina tecidos leves, como voil e tricoline, a materiais estruturados, como jeans e sarja, explorando contrastes de textura e volume. Estampas variadas, dois tipos de xadrez, babados, franzidos, franjas e cortes alinhados enriquecem a composição visual. As belezas caem como uma luva complementando os visuais criativos na passarela.

Inspirado pelo cotidiano urbano de Goiânia e pelas relações humanas, Lucas Caslú transforma a observação sensível em moda. Para ele, vestir é expressar e, quando unida à arte, essa expressão se torna ainda mais potente e transformadora.

| Foto: Casa de Criadores / Divulgação / CP

✨ ALEBRITO x Studio 115

A nova coleção assinada por Ale Brito nasce da imersão poética no território invisível onde moram as emoções mais puras, registradas não em palavras, mas em sensações delicadas, intensas e abstratas.

O estilista une seu olhar criativo ao Studio 115 pela segunda vez. A parceria transcende a moda e mergulha em camadas mais profundas da expressão humana, onde a estética encontra a alma.

As peças desfiladas levaram muita força à passarela, em modelagens estruturadas e tecidos pesados como o veludo. Com destaque para o preto, a nova coleção também apresentou tons de vermelho, off white e cinzas presentes em modelos com recortes elaborados e arabescos complementares.

| Foto: Casa de Criadores / Divulgação / CP

✨ Ken-gá

Há mulheres que aprendem cedo a se proteger, do mundo, dos olhares, das palavras, dos julgamentos. Mulheres que desde sempre caminham com uma camada a mais sobre a pele. Principalmente as que amam outras mulheres. Para essas, que constantemente vivem entre o instinto de defesa e o desejo de liberdade, a KEN-GÁ dedica sua nova coleção “Parashok”.

Toda construída na cor preta, a coleção focada no beachwear, não fala de ausência, mas de intensidade. Um preto que carrega história, resistência e complexidade. A escolha por trabalhar exclusivamente com essa cor — longe de ser neutra — dá espaço para a verdadeira protagonista da coleção: a textura. Tecidos como Jerseys, Tules e Malhas da Kalimo Next Door e Denin REPREVE da Santista, um tecido produzido a partir da reciclagem de garrafas PET, compõem a coleção. Há peso e leveza, rigidez e fluidez, brilho e opacidade.

As peças se estruturam como armaduras suaves, casulos que abrigam, mas também revelam. O styling, assinado pela dupla fundadora da marca, Lívia Barros e Janaína Azevedo, marca também o retorno da KEN-GÁ ao universo dos acessórios. Os colares de raba voltam como joias douradas que ostentam com orgulho o nome da marca como uma afirmação estética e política.

| Foto: Casa de Criadores / Divulgação / CP

Veja Também