A menopausa e a perimenopausa podem trazer inúmeros desafios à saúde das mulheres, e um dos mais preocupantes é a perda de densidade óssea, que eleva o risco de osteoporose. A médica May Al-Araji, especialista do Sistema de Saúde da Mayo Clinic, ressalta a importância de adotar medidas preventivas durante a perimenopausa e menopausa para proteger os ossos. "Este é o momento ideal para incluir exercícios de resistência, como o levantamento de peso, na rotina", aconselha.
Al-Araji explica que a menopausa tem um efeito multissistêmico, impactando não apenas o sistema esquelético, mas também a pele, o cabelo, o coração e outros órgãos. O médico Eduardo Cunha da Fonseca, ginecologista do Hospital Mater Dei, diz que a menopausa ocorre entre os 50 e 52 anos no Brasil e é diagnosticada após um ano sem menstruações.
Fonseca destaca que, para aliviar os sintomas, como ondas de calor, insônia e ressecamento vaginal, medicamentos hormonais e antidepressivos podem ser eficazes. "Hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada e a prática regular de exercícios também ajudam a aliviar os sintomas", afirma. Mas alerta que o acompanhamento médico é indispensável.
Exercícios de resistência: fortalecendo os ossos
A prática de exercícios de resistência ao peso é uma das principais recomendações para melhorar a saúde óssea. "Você não precisa ser fisiculturista", tranquiliza a médica Al-Araji. "Trata-se de construir resistência de forma gradual". Exercícios como caminhada rápida, afundos e o uso de faixas de resistência são exemplos de atividades que ajudam a aumentar a densidade óssea e prevenir fraturas.
A médica sugere a prática de caminhadas rápidas por 30 minutos, pelo menos cinco vezes por semana, para manter o coração saudável e fortalecer os ossos. “O importante é fazer o coração bater mais rápido e suar um pouco”, diz a especialista.
Alimentação e suplementação
Além da atividade física, uma dieta rica em cálcio e vitamina D é fundamental. Alimentos como leite fortificado, peixes gordurosos (salmão, cavala, sardinha), brócolis e produtos à base de soja são fontes importantes desses nutrientes. Caso a dieta não forneça vitamina D suficiente, a Dra. Al-Araji sugere que as mulheres consultem seu médico sobre a necessidade de suplementação.
Manter um peso saudável também é essencial, mas com uma advertência: "Evite perder peso rapidamente. Isso pode prejudicar os ossos, que preferem uma perda gradual", explica a especialista. Mulheres que estão em processo de emagrecimento devem fazer isso com o apoio de um profissional de saúde para minimizar a perda óssea.
Terapias e medicamentos
Nos casos de diagnóstico de osteoporose, Al-Araji recomenda considerar a terapia de reposição hormonal e outros medicamentos específicos. Ela também alerta para sinais que podem indicar problemas ósseos, como dor persistente, fraturas após quedas simples, uso prolongado de corticoides ou imunossupressores, e histórico familiar de osteoporose.
Segundo dados da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina, mulheres de 50 anos têm um risco de 40% de fraturas osteoporóticas ao longo da vida, especialmente no colo do fêmur, vértebras e rádio distal. Fraturas vertebrais aumentam em até 20% o risco de novas fraturas.
🎯Sinais de alerta para a saúde óssea
Certos sintomas e condições indicam a necessidade de buscar orientação médica para avaliar a saúde óssea, especialmente durante a perimenopausa e menopausa. Entre os sinais de alerta estão:
- Dores ardentes nos ossos: Se sentir dores intensas e persistentes nos ossos, é um indicativo de que algo não está bem.
- Dores ósseas: Qualquer desconforto ou dor nos ossos merece atenção, especialmente se ocorrer com frequência.
- Fratura por fragilidade: Quebrar um osso após uma queda simples (como escorregar ou tropeçar) pode ser um sinal de fragilidade óssea.
- Uso de imunossupressores: Se você toma medicamentos que suprimem o sistema imunológico, como imunossupressores, isso pode enfraquecer os ossos.
- Uso de corticoides: O uso prolongado de corticoides também está associado ao aumento do risco de perda óssea.
- Histórico familiar de osteoporose: Ter parentes próximos com osteoporose aumenta significativamente o risco de desenvolver a condição.
- Doenças autoimunes: Condições como artrite reumatoide podem enfraquecer os ossos e aumentar a necessidade de acompanhamento médico.
- Osteopenia diagnosticada: Se um raio-X revelou afinamento ósseo (osteopenia), é essencial monitorar a condição para evitar que ela evolua para osteoporose.
🎯Cuidados para prevenir a osteoporose
- Exercícios de resistência: Praticar atividades como caminhada rápida, exercícios com faixas elásticas e levantamento de peso fortalece os ossos.
- Dieta rica em cálcio e vitamina D: Alimentos como leite, salmão, brócolis e produtos à base de soja são fundamentais para a saúde óssea.
- Manter um peso saudável: Evite perdas rápidas de peso, pois isso pode enfraquecer os ossos.
- Não fumar: O tabagismo pode acelerar a perda de densidade óssea.
- Acompanhamento médico: Consultas regulares são essenciais para monitorar a saúde óssea, especialmente em mulheres na menopausa.
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