Menopausa no trabalho: como as empresas promovem bem-estar das mulheres

Programa oferece suporte emocional e cria ambiente de trabalho inclusivo para as mulheres durante a menopausa

Mulheres na menopausa enfrentam desafios com sintomas que afetam sua saúde emocional e produtividade
Mulheres na menopausa enfrentam desafios com sintomas que afetam sua saúde emocional e produtividade Foto : Freepik / Divulgação / CP

A menopausa, assim como a perimenopausa, continua sendo um tema pouco discutido no ambiente corporativo, com impactos na saúde e produtividade das mulheres. Segundo a Associação de Recursos Humanos Society for Human Resource Management, até 2030 a população mundial de mulheres na menopausa e pós-menopausa deverá atingir 1,2 bilhão, com 47 milhões de novas mulheres a cada ano. Em uma pesquisa realizada pela Biote, aproximadamente 40% das mulheres afirmaram que os sintomas da menopausa interferem diretamente no desempenho no trabalho. Como resultado, uma em cada cinco mulheres relatou que considerou ou deixou o emprego devido aos sintomas.

No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30 milhões de mulheres estão na menopausa ou no climatério, o que representa 7,9% da população feminina. A média de idade de entrada na menopausa é de 48 anos, com a transição podendo começar aos 46 anos. Durante esse período, 73,1% das mulheres sentem sintomas entre a pré-menopausa e a menopausa, e 78,4% relatam sentir os sintomas na pós-menopausa.

Impacto da menopausa no trabalho

Entre os principais sintomas estão ondas de calor, irritabilidade, secura vaginal e insônia. Esses sintomas podem ter impacto significativo na produtividade. Cerca de 44% das mulheres sentem-se menos produtivas durante este período da vida. Além disso, a menopausa está associada a outros riscos para a saúde, como aumento do risco cardiovascular, perda óssea e até demência, condições que exigem atenção especial.

De acordo com a pesquisa da Biote, 35% das mulheres relatam estresse como um dos principais impactos dos sintomas, seguido de redução da concentração (32%) e da confiança (38%). Esses fatores, muitas vezes, acabam afetando a produtividade e o engajamento das colaboradoras.

Exemplo de iniciativa: o programa Ciclos da Gerdau

A Gerdau, maior produtora de aço do Brasil, tem se destacado por suas iniciativas para tratar esse tema com as colaboradoras. A empresa implementou o Programa Ciclos, um projeto pioneiro que visa oferecer suporte e informações sobre todas as fases do ciclo de vida feminino. O programa tem como objetivo promover a aceitação e romper os tabus que ainda cercam a menopausa no ambiente corporativo. Por meio de encontros temáticos com especialistas como psicólogos, médicos e nutricionistas, o Programa Ciclos oferece uma abordagem integral, que inclui desde o suporte psicológico até a troca de experiências entre as colaboradoras.

Adriana Mansueto, gerente-geral de saúde e bem-estar da Gerdau, destaca que o programa foi criado com o compromisso de promover um ambiente de trabalho mais inclusivo e acolhedor. "Com este programa, refletimos nossos valores centrais de respeito às pessoas e responsabilidade social", afirma Adriana. "Ele também reforça a cultura de cuidado e equidade que buscamos consolidar em todas as nossas operações."

Além dos encontros temáticos, a Gerdau também oferece palestras educativas e cria um espaço seguro para que as colaboradoras possam compartilhar suas experiências pessoais e encontrar apoio. Esses esforços não só melhoram a qualidade de vida das mulheres, mas também impactam positivamente a produtividade e o clima organizacional, conforme evidenciado pelos relatos das colaboradoras.

A capacitação de gestores e a importância de ouvir as mulheres

A capacitação de gestores é uma etapa importante para garantir que as colaboradoras enfrentem os desafios da menopausa de maneira compreensiva e construtiva. Izabela Mioto, professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC), defende que a chave para o sucesso nesse processo é o esclarecimento.

"É importante que os gestores compreendam o impacto físico, mental e emocional que a menopausa pode causar nas mulheres", explica Mioto. "Ao não ter o devido conhecimento, os líderes podem fazer julgamentos precipitados, que prejudicam tanto as colaboradoras quanto o ambiente de trabalho."

Mioto também sugere a criação de rodas de diálogo e a promoção de relatos de mulheres que passaram pela menopausa como formas de sensibilizar os gestores e promover um ambiente de compreensão. "Esses momentos ajudam a despertar o interesse genuíno em compreender a perspectiva das mulheres e como apoiá-las", afirma.

Desafios e barreiras na implementação de políticas de saúde feminina

Apesar dos benefícios, muitas empresas ainda enfrentam desafios ao tentar implementar políticas inclusivas voltadas para a saúde da mulher, como a falta de clareza sobre os benefícios dessas políticas. Izabela Mioto destaca que a falta de conhecimento sobre como essas iniciativas podem contribuir para os resultados corporativos é uma das maiores barreiras.

"Muitas empresas ainda não reconhecem a saúde da mulher como uma prioridade dentro de sua cultura corporativa", aponta Mioto.

Além disso, a aprovação de orçamento para implementar tais políticas também pode ser um obstáculo significativo. Porém, conforme a Gerdau tem demonstrado, iniciativas voltadas para o bem-estar das mulheres podem ter um retorno positivo não só na saúde das colaboradoras, mas também na produtividade e retenção.

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