As mulheres 50+ vivem mais, consomem melhor e sabem o que querem vestir. Ainda assim, seguem sendo pouco representadas nas vitrines, nas campanhas publicitárias e nas araras das lojas. Dados da pesquisa MindMiners revelam que apenas 8% das ações de marketing da moda no Brasil incluem mulheres com mais de 50 anos, mesmo que esse grupo concentre parte significativa do poder de compra no país.
Para as especialistas, Symone Rech, fundadora da plataforma de tendências New & Now, e Marina Kober, consultora de imagem e criadora do método KO.BI, no mais recente episódio do podcast Fala 50+, o setor ainda não soube traduzir esse público em linguagem, produto e diálogo real.
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Enquanto a indústria cosmética e de alimentos já mira na chamada economia prateada, com produtos e campanhas voltados para a longevidade com qualidade de vida, a moda caminha em ritmo mais lento. A aposta ainda é majoritariamente no jovem, muitas vezes, em corpos magros, brancos e sem sinais da passagem do tempo.
"Há um descompasso evidente entre quem consome e quem é representado", observa a consultora de imagem Marina, que atende mulheres de diferentes faixas etárias. “As mulheres maduras buscam autenticidade, mas sentem que precisam quebrar velhos estigmas para se vestir como querem.”
Estilo como expressão, não como rótulo
Ao contrário do que indicam os estereótipos, mulheres 50+ não estão em busca de peças clássicas ou "discretas". O que elas querem é representatividade, conforto sem caretice e roupas que reflitam suas escolhas de vida. "Não existe moda exclusiva para mulher madura. O que existe é comunicação mal direcionada", afirma a especialista em tendências Symone. Para ela, o problema não está na modelagem ou na tendência, mas na forma como o mercado fala com essas mulheres e, principalmente, em quem escolhe para mostrar as peças.
Segundo Symone, marcas pequenas e médias têm um espaço promissor se decidirem nichar e ouvir com profundidade esse público, construindo uma comunicação mais afinada e propondo coleções com significado. “Quando a mulher madura vê uma campanha que reflete sua vivência, ela reconhece: ‘Essa marca falou comigo’. É aí que nasce o vínculo.”
Entre o espelho e o mercado
A maturidade também traz mudanças no corpo, no estilo de vida e no tempo disponível para si. São elementos que impactam diretamente o modo como a mulher se vê. Ao construir sua imagem pessoal, ela quer se sentir representada e reconhecida. Isso inclui aceitar ou não os fios brancos, optar por um tênis em vez de salto, abandonar o espelho como juiz e adotá-lo como companheiro.
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"Consultoria de imagem não é sobre imposição de regras, mas sobre escolhas conscientes", afirma Marina. "Muitas mulheres chegam até mim dizendo: ‘Já cuidei de todo mundo, agora quero cuidar de mim’. E é a partir desse desejo que se começa a alinhar estilo com identidade.”
Aos poucos, comentam as especialistas, surgem influenciadoras 50+, perfis com cabelos brancos, corpos diversos e estilos potentes e, com eles, um novo imaginário sobre envelhecer. Além disso, para quem trabalha com moda, o recado é claro: não se trata mais de criar roupas para uma idade, mas para trajetórias.
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