O verão exige atenção redobrada com a saúde íntima feminina. A combinação de altas temperaturas, umidade e hábitos típicos da estação pode desregular a flora vaginal e aumentar a incidência de infecções. Segundo a ginecologista Maria Alexandrina Zanatta, esses fatores criam um ambiente favorável ao desequilíbrio da microbiota da região, composta por bactérias e fungos naturais.
“Quando desequilibramos a flora vaginal com calor, umidade e o consumo maior de carboidratos e álcool, propiciamos o aumento na quantidade de bactérias e fungos que já moram ali em concordância com a vagina, causando sintomas como candidíase, vaginose bacteriana e até infecções urinárias”, explica a médica.
👙 Cuidado redobrado com biquínis e roupas úmidas
Roupas molhadas ou suadas podem contribuir para o desenvolvimento de microrganismos, especialmente durante o verão. De acordo com Maria Alexandrina, permanecer por um longo período com peças úmidas favorece a desregulação da região íntima, aumentando o risco de infecções.
“Não precisa tomar banho todas as vezes depois do contato com piscina ou mar, mas precisa tirar a roupa úmida o quanto antes. Troque o biquíni assim que você chegar em casa.” A recomendação da médica também se aplica nas roupas usadas em práticas de atividades físicas.
🩸 Menstruação e absorventes: como cuidar no calor?
Para os dias de praia ou piscina, absorventes internos ou coletores menstruais são ótimas alternativas para não perder a diversão. “A decisão entre o coletor e o absorvente vai muito do gosto pessoal. Não tem um que seja melhor ou mais efetivo. Usados do jeito correto, que é a troca a cada quatro horas do absorvente, eles não aumentam o risco de infecção.”
Por outro lado, a médica alerta para o uso de protetores diários, que podem piorar a secreção vaginal devido ao abafamento.
🧼 Higiene íntima: menos é mais
A rotina de higiene íntima deve ser simples e eficaz. O ideal é sempre lavar a região seguindo a orientação de frente para trás, para evitar que bactérias se espalhem. Use sabonetes líquidos neutros, preferencialmente à base de glicerina, que é a melhor escolha para preservar o equilíbrio natural da flora vaginal. De acordo com a ginecologista Maria Alexandrina Zanatta, o sabonete em barra não consegue manter o pH ácido da vagina – em torno de 4,5 –, ao contrário dos líquidos, que conservam melhor essa característica essencial para a saúde vaginal.
Além disso, evite o uso de produtos perfumados. “Os perfumes e outras substâncias presentes nos sabonetes podem causar irritação na vulva, que já é uma região naturalmente sensível”, explica.
O material das calcinhas e biquínis pode impactar diretamente a saúde íntima durante o verão. “Quanto mais sintético e quente, pior, porque faz abafamento e cria umidade.” Apesar da possível dificuldade para encontrar peças feitas em materiais naturais, essas são as melhores opções.
Quanto ao costume de lavar as calcinhas durante o banho, a especialista recomenda atenção especial. “Pode até usar o próprio sabonete de glicerina. O problema é secar a peça no box do banheiro, por causa da umidade. Se puder lavar no banho, mas deixar secando em local arejado, ótimo.”
☀️ Dicas para o dia a dia e férias
Confira recomendações de práticas simples para aproveitar o verão com segurança:
1) Troque biquínis e roupas íntimas molhadas assim que possível;
2) Prefira tecidos leves e respiráveis, como algodão. Caso haja possibilidade, o ideal é priorizar materiais naturais;
3) Permita que a respiração da vagina e a vulva ocorra facilmente. Uma dica da especialista é aproveitar os momentos livres em casa ou na hora de dormir para ficar sem calcinha. “Quanto mais sem calcinha puder ficar, ou com roupas frescas e leves, melhor”;
4) A dieta típica de verão, rica em carboidratos, petiscos e bebidas alcoólicas, pode influenciar negativamente a saúde íntima. Esses alimentos alimentam fungos e bactérias, favorecendo também as infecções;
5) Além disso, manter a hidratação é fundamental. “O ideal é que a gente tome mais água e faça mais xixi. E que saia claro, como se fosse água.” A concentração da urina propicia infecções.
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❌ Os principais mitos
Não existem estudos atualizados sobre as consequências do cloro da piscina ou a salinidade do mar no desequilíbrio da flora vaginal, mas algumas pessoas podem apresentar maior sensibilidade aos elementos químicos relacionados.
Quanto às toalhas compartilhadas, o ideal é evitar o contato direto com a região genital.
*Sob supervisão de Brenda Fernández
