Você já deve ter ouvido falar que quando as pessoas se sentem tontas, elas devem se sentar com a cabeça entre os joelhos, mas será que isso é verdade? E como saber se você ou outra pessoa que desmaiou deve ir ao pronto-socorro ou talvez até consultar um profissional de saúde? O cardiologista Elijah Behr, que atua na Mayo Clinic Healthcare, em Londres, explica cinco pontos importantes sobre desmaios.
Desmaio ou apagão, também conhecido como síncope, é a perda temporária de consciência devido ao fluxo sanguíneo insuficiente no cérebro. Porém, existem diferentes tipos de síncope.
Síncope vasovagal é o termo médico para o tipo mais benigno, um desmaio simples, sem uma causa subjacente séria, informa o médico. Esse tipo é comum. Uma queda na pressão arterial pode ocorrer devido a estresse emocional, dor, doença ou desidratação, por exemplo. Se a pessoa já tem pressão arterial naturalmente baixa, qualquer estímulo pode desencadear um reflexo no coração.
De acordo com o especialista, em vez de acelerar e bombear com mais força para manter a pressão arterial, o coração começa a desacelerar. Com isso, a pressão arterial cai, a frequência cardíaca diminui ainda mais e, em casos mais graves, o coração pode parar por alguns segundos, mas em algumas pessoas, pode chegar a quase um minuto.
Geralmente, com esse tipo de desmaio, a pessoa cai no chão, a pressão arterial retorna ao cérebro e a pessoa começa a se recuperar. No entanto, se acontecer em um local suscetível ou em uma posição vulnerável, pode desencadear riscos tanto para a pessoa quanto para os transeuntes, aponta.
A síncope que mais preocupa os profissionais da saúde é a síncope cardiogênica, o apagão devido a uma doença cardíaca subjacente, como uma anormalidade no ritmo cardíaco ou arritmia, explica.
“Normalmente, essa é uma perda de consciência mais abrupta com um retorno de consciência mais rápido em comparação ao desmaio simples. Se você for mais velho, as chances de ter uma doença cardíaca subjacente da qual pode-se, ou não, estar ciente são maiores. Essa é uma das razões para se preocupar mais com a perda de consciência em pessoas mais velhas”, diz.
Entretanto, o médico afirma que jovens também podem apresentar doenças cardíacas que incite uma síncope cardiogênica, servindo como um sinal de alerta e motivador para uma investigação mais profunda.
O apagão também exige atenção especializada para um problema cardíaco grave em quem possui histórico familiar de problemas cardíacos hereditários, mortes inexplicáveis ou mortes súbitas prematuras. Além das pessoas cujo “desmaio está relacionado ao exercício físico e pessoas cujo desmaio é associado a palpitações cardíacas ou a sensação de que o coração está disparando”, acrescenta.
⚠️ Alertas de um desmaio
O desmaio simples é antecipado por sinais de vertigem como náusea, zumbido ou chiados no ouvido. A sensação de suor excessivo também pode surgir neste momento, e a recomendação médica é se sentar ou deitar, caso seja possível. O tempo de “aviso” varia. Para alguns, a sensação pode durar 30 minutos, enquanto para outros pode ter duração de apenas 30 segundos.
“Algumas pessoas descrevem uma visão tubular — a visão se fechando antes de desmaiar — e algumas podem realmente perder a visão, mas ainda estar conscientes”, complementa.
🤔 O que fazer se você ou outra pessoa desmaiar
✅ Verifique se a pessoa está respirando e se está com pulso. Caso contrário, chame a emergência, e se souber como realizar a ressuscitação cardiopulmonar, inicie-a;
✅ Se a pessoa estiver respirando e com pulso, garanta que ela esteja deitada horizontalmente e com a via aérea aberta, utilizando a posição de recuperação, e peça ajuda;
✅ Se você sentir que um desmaio está chegando, coloque sua cabeça abaixo do nível do coração: por exemplo, entre os joelhos;
✅ Após o desmaio, a recomendação é descansar e se hidratar, adicionando eletrólitos, caso estejam disponíveis.
“Se a sua pressão arterial estiver ficando baixa e você estiver sentindo esses sintomas, isso significa que o sangue não está chegando ao seu cérebro. Se o seu coração estiver tentando empurrar o sangue para o cérebro contra a gravidade, significa que ele está se esforçando. Você precisa posicionar a sua cabeça no nível ou abaixo do coração para que a pressão arterial retorne ao cérebro; isso evitará todos os sintomas e o ciclo vicioso que ocorre sucessivamente", explica.
⚠️ Cuidado: levantar-se e andar imediatamente provavelmente será a pior coisa a se fazer, alerta o médico.
“A melhor coisa a se fazer é ficar onde você está e ficar quieto. Quando estiver se sentindo melhor, beba um pouco de água. Aconselhamos a maioria das pessoas que desmaiaram a aumentar a ingestão de água”, orienta.
- O que são eletrólitos e como eles ajudam na hidratação em meio ao calor intenso
- Quem tem doença crônica precisa redobrar os cuidados diante ao calor intenso
- Entenda como aumentar em 30 minutos os treinos de cardio podem impactar sua composição corporal
🩺 Quando procurar ajuda médica
Caso os gatilhos acima tenham lhe acionado um simples desmaio, o ideal é buscar por orientação médica. Especialmente se for o primeiro episódio dos sintomas, é melhor não ignorá-lo. Agora, se as circunstâncias são conhecidas e a avaliação do especialista já ocorreu, talvez não seja necessário ir ao pronto-socorro a cada episódio. No entanto, “é fundamental garantir que essas pessoas sejam tratadas e que nenhum outro problema esteja sendo negligenciado”, afirma.
As situações mais alarmantes envolvem:
• Idosos que desmaiam, pois outras condições podem influenciar o caso;
• Pessoas com desmaios frequentes;
• Casos em que o desmaio causa lesões, e quando o apagão ocorre de forma repentina, com outros sinais de possíveis problemas cardíacos.
O médico ainda alerta sobre casos que se assemelham a convulsões: “eles podem causar movimentos convulsivos, e para saber diferenciar uma convulsão e epilepsia de um desmaio, é necessário a participação de um cardiologista e neurologista”.
A relação com o desmaio também pode ser psicológica, como com quem desmaia ao ver sangue. Behr afirma que a situação é muito comum, mas é possível se condicionar para não desmaiar, superando-a de diversas formas.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode ajudar nesses casos. Na TCC, você trabalha com um profissional de saúde mental (como um psicoterapeuta ou terapeuta, por exemplo) para se tornar ciente de pensamentos negativos ou inadequados, para, portanto, enxergar situações desafiadoras de forma mais clara e saber respondê-las de maneira mais eficaz.
