Dietas restritivas e jejum prolongado podem causar mau hálito, apontam especialistas

Mudanças no metabolismo, boca seca e pouca mastigação estão entre as causas do problema, que pode surgir mesmo com boa higiene bucal

Esse tipo de alteração costuma ser temporária e melhora com ajustes na alimentação e nos cuidados diários
Esse tipo de alteração costuma ser temporária e melhora com ajustes na alimentação e nos cuidados diários Foto : Freepik

Quem começou a praticar jejum intermitente ou adotou a dieta low carb já deve ter percebido: o hálito nem sempre acompanha o esforço. Segundo especialistas, períodos longos sem comer e a redução drástica de carboidratos podem alterar o odor da boca, tornando o problema mais comum do que muitos imaginam.

“O jejum prolongado ou dietas muito restritivas, como as low carb e cetogênicas, reduzem a produção de saliva e levam o organismo a queimar gordura como fonte principal de energia”, explica Lígia Maeda, otorrinolaringologista e especialista em halitose do Hospital Paulista.

“Nesse processo, são produzidos os chamados corpos cetônicos, que liberam um odor característico, conhecido como ‘hálito cetônico’”, completa.

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👉 O que é o hálito cetônico?

Esse termo pode parecer técnico, mas descreve algo que muita gente já sentiu — ou cheirou: um odor adocicado, metálico ou até semelhante ao de frutas fermentadas.

“É um tipo de mau hálito que não está necessariamente ligado à má higiene bucal, mas sim a alterações metabólicas”, diz a médica.

Quando se deixa de consumir carboidratos, o corpo entra em um estado chamado cetose, no qual passa a utilizar a gordura como combustível. “Os corpos cetônicos gerados nesse processo são eliminados, em parte, pelos pulmões. Daí o odor característico na respiração”, explica a especialista.

😥 Menos saliva, mais problemas

Além da produção de corpos cetônicos, outro fator contribui para o mau hálito em quem está de dieta: a diminuição da salivação. Isso porque, durante o jejum ou em dietas que envolvem pouca mastigação (como aquelas baseadas em líquidos ou substitutos de refeição), a boca tende a ficar mais seca.

“A saliva tem função antibacteriana e ajuda a limpar a cavidade oral naturalmente. Quando sua produção diminui, aumenta a proliferação de bactérias e de compostos sulfurados voláteis, que são as substâncias responsáveis pelo mau cheiro”, alerta.

Hálito alterado, portanto, não significa dieta errada – mas um sinal de atenção. Se você está seguindo uma dieta específica com acompanhamento profissional e se sentindo bem, o hálito cetônico não precisa ser motivo para desistir. Porém, é importante reconhecer os sinais que o corpo dá e buscar estratégias para amenizar o problema.

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A especialista traz algumas dicas para lidar com a questão. Confira:

Mantenha a hidratação em dia: beba bastante água, especialmente fora dos horários das refeições;
Não negligencie a higiene bucal: escove os dentes, a língua (onde muitas bactérias se acumulam) e use o fio dental regularmente;
Evite longos períodos sem comer, se possível: converse com seu nutricionista para ajustar a dieta, caso o mau hálito esteja incomodando demais;
Use chicletes ou balas sem açúcar com xilitol: eles estimulam a produção de saliva, ajudando a manter a boca úmida;
Procure ajuda especializada: se o mau hálito persistir, vale consultar um dentista ou um especialista em halitose.

“A boa notícia é que esse tipo de alteração no hálito costuma ser temporária e melhora com ajustes na alimentação e nos cuidados diários”, conclui a especialista.