Embora possa parecer tentador recorrer a soluções naturais e receitas caseiras para cuidar da pele e do cabelo, é essencial ter consciência dos riscos envolvidos no uso de produtos não regulamentados.
As chamadas “misturinhas” vêm ganhando espaço nas redes sociais, impulsionadas pela promessa de resultados rápidos e acessíveis. No entanto, o uso indiscriminado dessas combinações, sem a devida orientação, pode causar mais prejuízos do que benefícios.
De acordo com a docente e coordenadora do curso Técnico em Enfermagem do Senac Saúde, Roberta Tavares, a melhor forma de garantir resultados seguros e eficazes é optar por produtos com registro na ANVISA e buscar a orientação de profissionais qualificados, seja em farmácias ou salões de beleza.
“Sempre desconfie de promessas milagrosas e priorize o cuidado com a saúde da pele e dos cabelos, escolhendo soluções que realmente tragam benefícios a longo prazo”, recomenda.
O que pode acontecer com quem usa produtos sem registro na ANVISA?
A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é o órgão responsável por regulamentar e fiscalizar cosméticos e produtos de cuidados pessoais. Roberta explica que “quando um produto não possui registro na ANVISA, significa que ele não passou por testes de segurança e eficácia, o que pode resultar em vários problemas para quem o utiliza”.
Entre os principais riscos, estão:
• Reações alérgicas severas devido à ingredientes inadequados ou mal combinados, incluindo desde irritações leves até reações mais sérias, como inchaço, vermelhidão, bolhas e dificuldades respiratórias.
• Produtos sem controle de qualidade podem ser contaminados com bactérias ou fungos, o que pode causar infecções de pele, foliculite ou até doenças mais graves.
• Danos a longo prazo como o ressecamento excessivo do cabelo, perda de hidratação da pele e até alterações no pH natural da derme e do couro cabeludo.
Segundo a especialista, identificar e evitar as misturinhas caseiras é essencial para prevenir prejuízos à saúde. Muitos dos ingredientes usados nesses preparos podem ser eficazes em contextos específicos, mas não devem ser aplicados diretamente na pele ou nos fios sem conhecimento sobre dosagem e efeitos. Pesquisar a origem, as propriedades e a forma de uso de cada substância é indispensável.
Outro cuidado importante é observar a embalagem e o registro do produto. Cosméticos aprovados pela ANVISA possuem um número de registro visível, informações claras sobre os ingredientes, instruções de uso e prazo de validade.
E mais: é fundamental desconfiar de promessas como “cura instantânea”, “milagre em uma aplicação” ou “resultado rápido sem contraindicações”. De modo geral, resultados realmente eficazes exigem constância e o uso prolongado de produtos cientificamente formulados.
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As consequências do uso das misturinhas podem ter efeitos adversos. Na pele, queimaduras e irritações são comuns quando se aplicam substâncias ácidas ou abrasivas, como limão, vinagre ou canela, diretamente sobre a derme.
Esses ingredientes podem causar queimaduras químicas e sensibilização, além de alterar o pH natural e provocar desidratação e ressecamento, sobretudo em peles mais sensíveis.
Já o bicarbonato de sódio, frequentemente usado para “esfoliar”, pode remover a oleosidade natural, comprometendo a barreira protetora da pele. E, em peles oleosas, óleos pesados, como o de coco, ainda podem obstruir os poros e agravar quadros de acne.
Nos cabelos, os danos também são expressivos. O uso excessivo de substâncias ácidas pode ressecar os fios e deixá-los quebradiços e opacos. Receitas com óleos em excesso podem pesar os fios, dificultar a absorção de nutrientes e desencadear caspa, coceira ou até dermatite seborréica por alterar o equilíbrio do couro cabeludo.
Além disso, misturas com bicarbonato de sódio ou água oxigenada, usadas com a intenção de clarear, podem descolorir de forma irregular e causar danos irreversíveis à estrutura capilar.
Por tudo isso, a recomendação dos especialistas é clara: para garantir resultados seguros e eficientes procure produtos com registro na ANVISA e sempre busque por profissionais capacitados e habilitados que podem orientar de maneira correta.
