Há um tipo de cuidado que acompanha as mulheres ao longo de toda a vida, mas que raramente ganha espaço nas conversas do dia a dia. Apesar de essencial, ainda é cercado por estigmas que dificultam o acesso à informação e o diálogo aberto. Sintomas e dúvidas recorrentes são ignorados, reforçando o silêncio que ainda envolve a saúde íntima feminina.
Diferentemente de outros aspectos da saúde, que costumam ser abordados com maior naturalidade em consultas médicas ou entre pessoas próximas, os cuidados com a região íntima seguem sendo tratados com certa reserva. Segundo uma pesquisa do IPEC encomendada pela marca Gino-Canesten, 45% das mulheres entrevistadas relataram sentir desconforto ao falar sobre saúde íntima. A mesma pesquisa aponta que 30% delas sentem vergonha ou insegurança ao comprar medicamentos voltados a esse tipo de cuidado.
Esse cenário de constrangimento parece impactar diretamente o nível de informação que as mulheres têm sobre sua própria saúde. Segundo a pesquisa, que foi conduzida em 2022, 49% das entrevistadas nunca ouviram falar sobre vaginose bacteriana — uma infecção comum, que já afetou 13% delas.
O levantamento, feito com 2 mil mulheres de todo o Brasil, entre 16 e 60 anos e das classes A, B e C, buscou entender a relação desse público com os cuidados íntimos e evidencia uma lacuna significativa de conhecimento, mesmo em situações recorrentes do cotidiano.
A associação frequente de infecções íntimas a fatores como falta de higiene ou à vida sexual pode dificultar o reconhecimento de sintomas e o acesso à informação adequada. Para Marília Sprandel, gerente médica da área de Consumer Health da Bayer Brasil, essa ausência de conhecimento contribui para a manutenção do tabu.
“A partir do momento que a mulher se conhece, ela sabe que aquela condição é absolutamente normal”, afirma.
Os sinais mais comuns do desequilíbrio vaginal
A especialista explica que a região íntima feminina é sensível a diferentes fatores e variações do cotidiano. O uso de roupas muito apertadas ou feitas com tecidos sintéticos, alterações hormonais, queda da imunidade e até mesmo o uso de antibióticos estão entre os elementos que podem provocar desequilíbrios na flora vaginal.
Essa desregulação propicia o surgimento de infecções que são muito comuns, mas ainda são cercadas de desinformação.
A candidíase vaginal, por exemplo, é provocada pelo crescimento excessivo do fungo Candida albicans, que já vive naturalmente na pele e na mucosa da vagina. Quando ocorre um desequilíbrio, o fungo se prolifera e provoca sintomas como coceira intensa, ardência, vermelhidão e um corrimento esbranquiçado, com aspecto semelhante ao de leite talhado.
“Três em cada quatro mulheres (75%) vai ter candidíase pelo menos uma vez na vida”, afirma a médica com base em estudos recentes da Bayer.
Já a vaginose bacteriana é causada pela proliferação de bactérias como a Gardnerella vaginalis, geralmente quando o pH da região íntima se desregula. É caracterizada por um corrimento acinzentado, mais fluido, e um odor forte e desagradável. “O principal sintoma é o odor de peixe podre”, descreve Marília.
Essas condições não são infecções sexualmente transmissíveis e podem atingir mulheres de diferentes idades.
Cuidados simples que fazem diferença
Incluir hábitos saudáveis no dia a dia pode ajudar a manter o equilíbrio da flora vaginal e prevenir infecções. Confira algumas orientações indicadas pela especialista:
• Deixe a pele respirar: opte por calcinhas de algodão e roupas de tecidos leves, que favorecem a ventilação da região íntima;
• Cuide da umidade da região: evite o uso contínuo de protetores diários ou uso prolongado de peças de banho ou de treino molhadas;
• Esteja atenta a alterações: corrimento com cor ou cheiro fortes, coceira persistente ou ardência merecem avaliação médica.
Sabonete íntimo: vilão ou aliado?
Segundo a pesquisa do IPEC mencionada anteriormente, ainda que 85% das mulheres se considerem bem-informadas sobre sua saúde íntima, 95% delas dizem querer saber mais sobre o assunto. A internet e as redes sociais são apontadas como principais fontes de busca quando surgem dúvidas por 72% das entrevistadas.
Para Marília, o cenário atual é agravado pela presença da inteligência artificial. “É muito mais fácil para a mulher perguntar para um robô ou de forma anônima em algum site, do que perguntar para alguém”, aponta.
No entanto, nem sempre o conteúdo disponível online é confiável. Um exemplo comum é a recomendação do uso de sabonete neutro para a higiene íntima que corre pelas redes sociais. Embora pareça uma opção mais suave, Sprandel esclarece que o produto não possui o pH ideal para essa região, que é naturalmente mais ácido.
Ela também alerta para os riscos do uso de fórmulas com corantes, álcool e perfumes intensos, que podem sensibilizar a pele da vulva, uma área naturalmente mais delicada. A recomendação é evitar agentes de limpeza agressivos, dando preferência a fórmulas específicas para a região íntima.
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A especialista ainda reforça que a vagina é autolimpante e, portanto, a higiene deve ser feita apenas na parte externa com um sabonete específico. Não é indicado fazer uso do mesmo sabonete utilizado no corpo.
Diante de tantas incertezas e tabus sobre o que realmente faz sentido na higiene íntima, a Gino-Canesten desenvolveu os sabonetes Triplo Cuidado e Puro Cuidado com foco na segurança e no equilíbrio do microbioma da região. Com pH balanceado, agentes de limpeza suaves e livre de substâncias como álcool, corantes e parabenos, eles não comprometem a presença dos lactobacilos, que são bactérias essenciais para a proteção natural da região. Além disso, ajudam a manter a hidratação da pele, que é naturalmente mais sensível e suscetível ao ressecamento com sabonetes comuns. São considerados opções seguras para o uso diário.
Ainda assim, a orientação profissional segue indispensável. Marilia recomenda regularidade para consultas com ginecologistas, no mínimo uma vez ao ano. Esse contato é fundamental para esclarecer dúvidas, avaliar individualmente cada caso e garantir que a saúde íntima esteja sempre em dia.
*Sob supervisão de Brenda Fernández
