Por que o vinho esquenta? Entenda o efeito da bebida nos dias frios

Sommelier explica sobre essa "mística" em torno da bebida

Sommelier explica sobre essa "mística" em torno da bebida
Sommelier explica sobre essa "mística" em torno da bebida Foto : Freepik

Por mais que o termômetro insista em despencar, há sempre uma solução clássica para encarar os dias frios: uma taça de vinho. Com a chegada do outono e a queda nas temperaturas, o consumo de vinho ganha força no Brasil. Restaurantes, adegas e supermercados registram aumento nas vendas da bebida, especialmente de rótulos tintos e encorpados. Mas por que o vinho parece esquentar o corpo?

A sensação térmica associada à bebida tem explicação científica e não está no tipo de uva nem na cor do vinho, como muitos acreditam.

“O vinho, assim como qualquer bebida alcoólica, provoca um fenômeno chamado vasodilatação: os vasos sanguíneos superficiais se dilatam e levam o sangue mais próximo da pele. É isso que gera aquela vermelhidão no rosto e aquela impressão de que a gente está mais quentinho", explica Jonas Martins, sommelier e enólogo, gerente da MMV, importadora especializada.

Mas atenção: trata-se de uma ilusão térmica. Enquanto a superfície do corpo aquece, o interior pode, na verdade, esfriar. É como se o calor fosse real só na pele e enganasse o resto do corpo. Por isso, a clássica cena do brinde ao ar livre no frio do inverno europeu pode ser charmosa, mas não necessariamente segura se houver exagero.

Você talvez já tenha escutado que vinhos tintos são os melhores para o frio, e pode até ser verdade no paladar, mas não no termômetro. “A ideia de que um tinto encorpado aquece mais não tem base científica”, afirma Martins. O que muda é o teor alcoólico: quanto maior, maior a chance de sentir o tal calor momentâneo. Mas isso é mais sobre a força da bebida do que sobre a sua cor ou variedade de uva.

Além disso, nos dias frios, o vinho raramente atua sozinho. Costuma vir combinado com fondues, massas, carnes de longa cocção, entre outros. E aí, sim, o combo alimentar dá uma força na elevação térmica. A digestão exige energia, e energia gera calor.