A crença de que é preciso queimar a pele para tê-la dourada cresce no verão. Nas praias, os corpos dispostos sobre a areia procuram uma estética de beleza que frequentemente ultrapassa os limites do saudável. Em sua forma mais grave, a busca exagerada pelo bronze pode atingir a tanorexia, necessidade compulsiva de se bronzear.
Contrária à visão de que o contato dos raios solares com o corpo funcionam apenas como elemento estético, uma nova prática tem surgido: o slow sun. Traduzido de forma literal para “sol lento”, o conceito defende uma exposição gradual e planejada à iluminação natural. A ideia, que começou a circular em países mediterrâneos como Espanha, França e Itália, funciona como um estilo de vida que se relaciona com o sol de forma consciente, sem excessos.
A dermatologista Denise Ozores, especialista em beleza natural, acredita que adotar o slow sun não significa utilizá-lo nos mesmos moldes que o sul europeu, uma vez que há diferenças climáticas entre o Brasil e os países mediterrâneos. Para ela, o conceito funciona como inspiração para se repensar a interação entre as pessoas e o sol. “O slow sun não fala em abandonar o sol, mas em mudar a forma como nos expomos. É uma experiência qualitativa, não imediatista. A luz pode ser benéfica quando usada com intenção e planejamento”, afirma.
As características do slow sun
O que diferencia o slow sun de outras maneiras de bronzeamento é a adoção de pausas entre os momentos sob o sol, a definição de horários de exposição e a valorização da sombra nos momentos de pausa. Segundo Denise, a adaptação ao slow sun no Brasil passa principalmente por horário, duração e frequência.
O reconhecimento de que os danos solares são cumulativos e silenciosos, aparecendo anos depois, reforçam cuidados que sempre devem ser levados em consideração, como ressalta a CEO da rede de estética facial Sóbrancelhas, Luzia Costa. “A exposição prolongada ao calor e à radiação ultravioleta deixam a pele mais vulnerável a queimaduras, manchas, envelhecimento precoce”, alerta. A aplicação do protetor solar ainda é um dos pilares para a proteção ao sol, principalmente após mergulhos no mar e na piscina.
Além dos cuidados externos, a alimentação também pode ajudar a proteger a pele e prolongar o bronze. De acordo com o coordenador do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera, Wagner Alessandro dos Reis, a cenoura é a principal aliada para manter a cor dourada. Rica em betacaroteno, que é convertida em vitamina A no organismo, atua no combate ao envelhecimento da pele.
Como fazer o slow sun
- Priorize se expor ao sol antes das 10h e após as 16h
- Evite permanecer sob os raios solares por mais de 1h seguida
- Faça pausas entre os momentos de exposição
- Aplique o protetor solar pelo menos 15min antes de entrar em contato com o sol e reaplique-o a cada 2h ou depois de sair da água
- Aumente o consumo de frutas e vegetais como abacate, cenoura e tomate
