Os trabalhadores da saúde do Rio Grande do Sul estão em campanha salarial por meio dos 27 Sindisaúdes filiados à Federação dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde no RS (Feessers), representando funcionários de hospitais, clínicas, laboratórios, consultórios médicos e UPAs, onde as Santas Casas e Hospitais Filantrópicos representam 70 % do total.
São mais de 130 mil trabalhadores, 85% formados por mulheres, que recebem de um a três salários mínimos nacionais. São técnicos e auxiliares de enfermagem, atendentes, copeiras, higienizadores, cozinheiros, seguranças, porteiros, recepcionistas e funcionários administrativos.
Entre eles, a enfermagem, que teve o tão sonhado Piso Nacional da Enfermagem, aprovado pelo PL 14.434/22, desfigurado pelo STF, que alterou o texto aprovado no Congresso Nacional, isentando as entidades filantrópicas, municípios e estados e limitando o piso ao repasse do complemento do governo federal e, no setor privado, jogou à livre negociação entre patrões e sindicatos.
As dificuldades em conquistar avanços passam pela forma de custeio vigente no SUS, em que prestadores são remunerados através de tabelas e contratos com metas de produção. Não existe um estudo do custo hospitalar, embora seja fácil saber o volume de recursos destinados. Não existe clareza na aplicação desses recursos.
As instituições não divulgam salários de administradores, gestores e médicos nem gastos com obras, uma constante, já que um quarto do gasto em saúde da União são emendas parlamentares. Dos R$ 227,8 bilhões de gastos em saúde pública, as emendas somam R$ 50,4 bilhões.
Devido aos baixos salários, jornadas de até 12 horas, trabalho em domingos e feriados, equipes reduzidas, troca de turnos, assédios, estresse de lidar com a dor e o sofrimento, falta de condições adequadas, transporte, refeitórios, vestiários, salas de descanso, bem como alimentação de qualidade, a rotatividade é alta e os pedidos de demissão ultrapassam as dispensas sem justa causa, razão pela qual existe dificuldade em manter equipes entrosadas.
Para chamar a atenção sobre os problemas enfrentados, em 2017, a Feessers e os sindicatos lançaram a campanha "Cuidando de quem cuida". Cuida melhor do outro, quem cuida bem de si.
Nela, chamou-se a atenção para o fato de os trabalhadores e trabalhadoras, que tratam a saúde dos outros, esquecerem que são humanos e também afetos a enfermidades.
Mas a sociedade também não passa tintas de visibilidade nestes homens e mulheres. Eles passam despercebidos e invisíveis aos olhos de quem não está enfrentando a luta pelo bem maior da vida: a saúde.
É por eles, os trabalhadores da saúde, que, há meio século, cruzamos o Rio Grande do Sul em incontáveis viagens, traçando veios de tinta social para torná-los visíveis.