A epizootia de gripe aviária nos Estados Unidos segue se alastrando com a detecção da cepa D1.1 do vírus H5N1, após infectar vacas leiteiras pela primeira vez. Desde 2022, o país enfrenta surtos de gripe aviária de alta patogenicidade que já alcançaram praticamente toda a sua extensão territorial. Um dos motivos é a presença de quatro importantes rotas migratórias de aves silvestres, o que epidemiologicamente favorece a propagação da doença. Mas não só isso.
Num cenário de crises instaladas no atual governo Trump, o setor avícola e seus consumidores sofrem as consequências de uma política que não tem favorecido ações da defesa agropecuária, ao adotar, por exemplo, medidas como a suspensão da emissão dos boletins sanitários com alertas à população. A escassez de informação vinda de fonte oficial norte-americana não tem contribuído para a eficácia das estratégias adotadas pelos órgãos competentes para se debelar o vírus.
Os infectologistas temem o risco de uma pandemia para os seres humanos, visto que a nova variante está associada a casos graves, inclusive com óbito de um idoso em janeiro deste ano. Não há vacina com eficácia comprovada para prevenção da doença e nem protocolo de tratamento eficiente para eliminar o vírus. A única arma que temos é reforçar a biossegurança junto à avicultura comercial e educar a população sobre a prevenção da doença para evitar o ingresso da influenza através da criação de aves de subsistência.
As ações de vigilância de doenças desta natureza em aves são executadas pelos profissionais da defesa agropecuária dos estados, como os fiscais estaduais agropecuários. Fica o alerta da categoria para as autoridades do Rio Grande do Sul. Sobretudo porque o Estado passou por focos recentes de influenza aviária e doença de Newcastle que foram rapidamente controlados sem prejuízos significativos à nossa avicultura comercial e sem comprometimento da saúde da população.