Acordo do MPRS prevê substituição de 24 km de rede elétrica para proteger bugios no RS

Medidas buscam prevenir mortes por choque elétrico perto da Reserva Biológica do Lami, em Porto Alegre, e do Parque Estadual de Itapuã, em Viamão

A medida busca proteger a espécie, ameaçada de extinção, diante dos riscos provocados pela rede elétrica em regiões com registros frequentes de acidentes
A medida busca proteger a espécie, ameaçada de extinção, diante dos riscos provocados pela rede elétrica em regiões com registros frequentes de acidentes Foto : Marcelo Rheingantz/PNT/Agência Brasil

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) firmou um acordo judicial com a CEEE-D e a Equatorial S.A. para reduzir as mortes de bugios por choque elétrico em áreas próximas à Reserva Biológica do Lami, em Porto Alegre, e ao Parque Estadual de Itapuã, em Viamão. A iniciativa integra uma ação civil pública e busca proteger a espécie, considerada ameaçada de extinção, diante dos riscos provocados pela rede elétrica em regiões com registros frequentes de acidentes.

O acordo prevê a substituição de 24 quilômetros de redes de baixa tensão. Além disso, a empresa deverá construir um recinto para reabilitação dos animais junto à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e o custeio de tratamentos veterinários.

O que diz o acordo

Pelo acordo, a concessionária deverá substituir, em até 60 meses, trechos de rede elétrica identificados como críticos na Reserva Biológica do Lami e no Parque Estadual de Itapuã. As intervenções abrangem 39 pontos e incluem a instalação de redes multiplexadas, além do isolamento de conectores em postes e transformadores.

Também estão previstas podas de vegetação próxima às redes de média e alta tensão, conforme plano de manejo já estabelecido entre a empresa e a Prefeitura de Porto Alegre.

O acordo estabelece medidas adicionais caso ocorram novas mortes de bugios por eletrocussão durante a execução das obras. Nesses casos, a empresa terá até dez dias para implementar medidas de proteção no local do acidente.

Se os episódios forem registrados em áreas que não estavam contempladas inicialmente, a concessionária poderá ampliar as intervenções em até 30% da extensão original, o equivalente a mais 7,2 quilômetros de cabos.

Recinto para reabilitação

Como compensação pelos danos já causados à fauna silvestre, a concessionária deverá custear e executar a construção de um recinto para reabilitação de bugios junto à Faculdade de Medicina Veterinária da Ufrgs. A estrutura será destinada ao atendimento e à recuperação dos animais vítimas de acidentes, com acompanhamento técnico da universidade.

O acordo também prevê a continuidade do custeio do tratamento veterinário dos bugios atingidos até a conclusão das medidas de proteção da rede elétrica.

Além disso, será criado um comitê para acompanhar a execução das ações e discutir novas medidas de proteção à espécie. O grupo contará com representantes da CEEE-D, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) de Porto Alegre, das unidades de conservação envolvidas, da Ufrgs e de outros órgãos convidados.

O acordo foi assinado na quinta-feira. A iniciativa integra uma ação civil pública conduzida pelos promotores de Justiça Annelise Steigleder e Felipe Teixeira Neto, da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre.