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Ato exige punição de suspeita de matar cachorro com golpes de picareta em Porto Alegre

Protesto reivindica justiça por morte do cão Branquinho

Manifestação se reunem Monumento ao Expedicionário, no Parque Farroupilha, por Justiça para o cão Branquinho, morto a golpes de picareta
Manifestação se reunem Monumento ao Expedicionário, no Parque Farroupilha, por Justiça para o cão Branquinho, morto a golpes de picareta Foto : Camila Cunha

Um protesto neste sábado exigiu a punição da mulher de 32 anos, suspeita de matar um cachorro de apelido Branquinho com golpes de picareta em Porto Alegre. Ela chegou a ser presa em flagrante na última segunda-feira, por maus-tratos contra mais de 30 animais, mas acabou sendo solta após audiência de custódia e vai responder em liberdade.

Nesta manhã, o ponto de encontro dos manifestantes foi o entorno do Monumento ao Expedicionário, no Redenção. Com faixas e cartazes, pediam justiça por Branquinho, assim como a prisão da suspeita por sua morte e o endurecimento das penas de crimes contra animais.

"Muitos não dão importância para a crueldade humana. Animais são maltratados e mortos diariamente, mas nada acontece com os responsáveis por esses crimes. A gente não pode ficar calado. Não é aceitável conviver com essa impunidade”, enfatizou o ativista Guilherme Webkoski, um dos organizadores do protesto.

Segundo o Tribunal de Justiça do RS, a morte de Branquinho teria ocorrido em novembro de 2025, no imóvel em que a investigada residia, na zona Leste da Capital. O vídeo que registra o momento das agressões foi encaminhado ao Ministério Público em abril deste ano. Foi indeferido o pedido de prisão preventiva na oportunidade, já que o fato teria ocorrido há cerca de seis meses.

A audiência foi presidida pela juíza Michele Scherer Becker, que analisou a legalidade da prisão, as circunstâncias do fato, bem como as condições pessoais da mulher. Ao final, foi homologada a prisão em flagrante e concedida a liberdade provisória, mediante o cumprimento de medidas cautelares, como forma de inibir a possível reiteração delitiva. A decisão foi embasada no fato de a mulher ser tecnicamente primária e em razão do crime que, eventualmente, poderá iniciar o cumprimento da pena em regime menos gravoso que o fechado, conforme legislação penal.

A mulher terá que comparecer mensalmente em juízo para informar e justificar suas atividades, manter endereço e telefone atualizados, comparecer a atendimento psicológico, com comprovação periódica nos autos. Foi fixada a proibição de manter sob sua guarda qualquer tipo de animal e a obrigação de não se envolver em novos delitos.

Durante a audiência, o promotor do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Roberto Taborda Masiero, apresentou parecer destacando a gravidade da situação verificada, com indícios suficientes da prática do crime de maus tratos, conforme previsto na legislação penal. A manifestação teve como foco as circunstâncias constatadas no momento da ação, relacionadas exclusivamente aos animais resgatados nessas condições.

O Ministério Público esclarece que a audiência de custódia não analisou nem tratou do episódio ocorrido anteriormente, em novembro do ano passado, que resultou na morte de um cão, fato que é objeto de procedimento próprio. Esse antecedente foi considerado como elemento de contexto, a fim de demonstrar a reiteração de condutas semelhantes, reforçando a necessidade de adoção de medidas mais rigorosas no caso atual.

Segundo o promotor, a manutenção de animais sem água, comida e em local inadequado configura situação de extrema crueldade e afronta direta à legislação de proteção animal, exigindo resposta firme do sistema de Justiça para evitar a repetição de crimes dessa natureza.

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) se manifestou através de nota sobre a suposta profissão da investigada, que nas redes sociais foi dito que seria integrante de corporação. “A corporação afirma que a mulher investigada não integra os quadros da Corporação. A investigada segundo o CBMRS, “atua como bombeira civil, não possuindo qualquer vínculo funcional, institucional ou administrativo com o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul. O CBMRS reafirma seu compromisso com a ética, a legalidade e o respeito à vida em todas as suas formas, bem como destaca a importância da correta identificação das instituições e profissionais envolvidos em fatos de repercussão pública, a fim de evitar informações equivocadas perante a sociedade”.

O Conselho Regional de enfermagem (Coren-RS) informa, em nota, que acompanha o caso envolvendo a morte do cachorro Branquinho com atenção e consternação. O Conselho manifesta solidariedade à causa animal e reforça seu posicionamento contrário a qualquer forma de violência, crueldade ou desrespeito à vida.

“O caso causou profunda indignação na sociedade e no próprio Coren-RS, principalmente por envolver uma profissional da Enfermagem. O episódio evidencia a necessidade de rigorosa apuração dos fatos pelos órgãos competentes, conforme estabelece a legislação brasileira.”

“O Conselho destaca que denúncias envolvendo profissionais da categoria podem ser encaminhadas à Ouvidoria do Coren-RS, responsável por receber e analisar as manifestações, realizando os encaminhamentos cabíveis dentro das competências legais e institucionais do Sistema Cofen/Conselhos Regionais.”

“O Coren-RS reafirma seu compromisso com a ética, o respeito à vida e a responsabilidade social, princípios fundamentais que devem orientar permanentemente o exercício da Enfermagem e a convivência em sociedade. O Conselho espera que os fatos sejam devidamente apurados e que sejam tomadas as providências cabíveis pelos órgãos competentes”.

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