A catarata em cães e gatos exige atenção dos tutores e diagnóstico veterinário preciso para evitar a perda visual completa e complicações oculares. A doença ocorre quando o cristalino, a lente natural do olho, perde a transparência e passa a dificultar a passagem da luz, comprometendo a visão em graus variados. Em cães, ela costuma ter forte associação hereditária e também é frequente em pacientes diabéticos.
"Em gatos, é menos comum e muitas vezes aparece relacionada a outros problemas oculares, como inflamações intraoculares, alerta a médica veterinária oftalmologista Fabiana Quartiero Pereira, do Grupo Hospitalar Pet Support. A especialista destaca ainda que nem todo olho com aparência azulada ou opaca significa catarata. Inúmeras doenças oculares causam opacidade ocular, como glaucoma, uveíte e ceratite.
Ainda, em animais idosos, especialmente cães, uma alteração chamada esclerose nuclear deixa o olho com aspecto acinzentado sem representar o mesmo grau de comprometimento visual. A diferenciação entre catarata e esclerose só é possível durante o exame oftálmico.
“Muitos tutores só procuram ajuda quando o pet já começa a esbarrar em móveis, apresentar insegurança para caminhar ou mostrar uma alteração visível no olho. Mas existem vários sinais precoces, como um reflexo esbranquiçado ou acinzentado no olho, dificuldade maior em ambientes escuros, hesitação para subir ou descer escadas e até mudanças no comportamento. Quanto antes este paciente for avaliado, maior a chance de definir com precisão o que está acontecendo e indicar a melhor conduta”, afirma.
Quando há suspeita de catarata, a avaliação oftalmológica precisa ir além do exame clínico. Exames específicos ajudam a definir se a retina está viável e se a facoemulsificação (cirurgia para remover a catarata) será indicada para este paciente. “Pacientes com diagnóstico de catarata são avaliados quanto ao grau desta catarata e quanto à saúde ocular: ausência de inflamações e estabilidade da pressão dos olhos. Estando tudo bem, o paciente é encaminhado para eletrorretinografia e ecografia ocular antes de agendar o procedimento. Assim como em pessoas, o único tratamento existente para catarata é a cirurgia, explica.
Sinais que os tutores podem observar em casa:
- olho com aspecto esbranquiçado, acinzentado, azulado ou leitoso;
- pet esbarrando em móveis ou objetos;
- dificuldade maior em ambientes escuros;
- hesitação para subir ou descer escadas;
- mudança de comportamento, com mais insegurança para circular;
- em gatos: dificuldade para se localizar em ambientes conhecidos ou “errar o pulo”.
A orientação, segundo a especialista, é simples: Ao notar qualquer mudança no brilho, na cor, na transparência dos olhos ou no comportamento visual do pet, o tutor deve buscar avaliação veterinária. Pacientes de meia idade devem fazer check up oftálmico, pois em oftalmologia, tempo faz diferença. Diagnóstico precoce significa mais chance de proteger a visão, o conforto e a qualidade de vida do animal.
