Diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios na oncologia veterinária

Diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento e melhora a qualidade de vida dos pacientes

Diagnóstico tardio do câncer reduz as possibilidades de tratamento e pode comprometer a qualidade de vida dos animais
Diagnóstico tardio do câncer reduz as possibilidades de tratamento e pode comprometer a qualidade de vida dos animais Foto : Rovena Rosa / Agência Brasil / CP

Um estudo internacional publicado no Journal of Veterinary Internal Medicine revelou que apenas 4% dos casos de câncer em cães são detectados durante consultas de rotina. A maioria dos diagnósticos (88%) ocorre somente após o aparecimento de sinais clínicos, enquanto outros 8% são identificados de forma incidental durante exames realizados por outros motivos. O cenário reforça um dos principais desafios da oncologia veterinária: o diagnóstico tardio, que reduz as possibilidades de tratamento e pode comprometer a qualidade de vida dos animais.

Em grande parte dos casos, cães e gatos chegam ao atendimento especializado com a doença em estágio avançado, o que limita as opções terapêuticas e reduz as chances de controle do quadro clínico. A dificuldade em identificar sinais iniciais e a demora na busca por avaliação veterinária estão entre os fatores que contribuem para esse cenário.

Segundo a médica-veterinária especializada em oncologia do Onco Support, Letícia Fratini, o tempo é um fator decisivo no manejo oncológico. "Quando o diagnóstico ocorre de forma precoce, conseguimos ampliar significativamente as possibilidades de tratamento e oferecer mais qualidade de vida ao paciente. O problema é que muitos animais chegam quando a doença já está em um estágio mais avançado, o que torna o controle mais desafiador", explica.

A evolução da medicina veterinária tem ampliado as alternativas terapêuticas na oncologia, com opções que incluem cirurgia, quimioterapia e cuidados paliativos, sempre definidos a partir de avaliação individualizada. No entanto, a efetividade dessas abordagens continua diretamente relacionada ao momento em que a doença é identificada.

Na prática, o acompanhamento clínico regular é uma das principais ferramentas para antecipar o diagnóstico. Check-ups periódicos permitem identificar alterações ainda em fases iniciais, muitas vezes antes mesmo de sinais clínicos mais evidentes aparecerem.

“O tutor tem um papel fundamental nesse processo. Observar mudanças no comportamento, no apetite ou no corpo do animal e buscar avaliação o quanto antes faz diferença no desfecho do caso. Em oncologia, cada semana conta”, reforça.

Além do diagnóstico, o avanço da oncologia veterinária também tem contribuído para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mesmo em casos em que a cura não é possível. O manejo adequado da dor, o acompanhamento contínuo e a definição de condutas individualizadas permitem oferecer mais conforto e bem-estar ao animal ao longo do tratamento.

•• Sinais de alerta que podem indicar câncer em pets:

• Nódulos ou caroços pelo corpo
• Qualquer aumento de volume deve ser avaliado, mesmo que não cause dor.
• Feridas que não cicatrizam
• Lesões persistentes podem indicar alterações mais profundas.
• Perda de peso sem causa aparente
• Emagrecimento progressivo merece investigação.
• Mudanças de comportamento
• Apatia, isolamento ou redução de atividade podem ser sinais importantes.
• Alterações no apetite ou dificuldade para se alimentar
• Mudanças na rotina alimentar não devem ser ignoradas.

Veja Também