As baixas temperaturas, combinadas à queda da umidade do ar, favorecem o ressecamento cutâneo e comprometem a integridade da barreira de proteção da pele, especialmente em de cães e gatos com predisposição a alergias.
“Ao contrário do verão, onde os principais vilões são os ácaros, fungos e bactérias que se proliferam com a umidade e o calor, o inverno traz o desafio do ressecamento. A pele perde água para o ambiente e, com isso, enfraquece suas defesas naturais”, explica o médico- veterinário Lucas Piza, coordenador de produtos da Avert Saúde Animal.
Esse ressecamento leva à descamação da camada mais superficial da pele, acelerando a renovação celular de forma desordenada e prejudicando a produção de ceramidas, lipídios fundamentais para manter o filme protetor e hidratante da pele. O resultado é uma barreira cutânea fragilizada, mais suscetível à ação de agentes irritantes e à entrada de microrganismos oportunistas.
Coceiras intensas são um dos primeiros sinais clínicos de que algo não vai bem. “O ato de se coçar pode causar microlesões que rompem mecanicamente a barreira da pele, facilitando infecções e piorando quadros inflamatórios”, alerta Lucas. A situação se agrava ainda mais em pets alérgicos, cuja pele já apresenta, naturalmente, uma menor concentração de ceramidas e maior tendência à desidratação.
Outro fator que contribui para o comprometimento da pele durante o inverno é o excesso de banhos ou o uso inadequado de produtos. A água quente, comum nos dias frios, remove a oleosidade natural da pele e agrava ainda mais o ressecamento. A recomendação é reduzir a frequência dos banhos nessa estação, optar por água morna e evitar correntes de vento durante o procedimento.
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“O ideal é utilizar shampoos com ação hidratante e profunda, especialmente os que contêm nanopartículas lipídicas, que formam uma segunda barreira protetora na pele, ou aqueles com extrato de aveia coloidal, que nutre as bactérias benéficas da microbiota cutânea”, orienta o médico veterinário. Ele também recomenda o uso de hidratantes tópicos após o banho, como forma de acelerar a recuperação da pele e restaurar sua maciez e brilho natural.
No caso dos pelos, o cuidado também deve ser reforçado. Eles são revestidos por camadas de cutículas em formato de escama que, quando danificadas pela ação do frio, calor, produtos químicos ou sujeira, tendem a se abrir, permitindo a perda de nutrientes e facilitando o ressecamento. A hidratação regular dos fios ajuda a restaurar essa proteção, evita que os pelos quebrem ou embolem e reduz o acúmulo de sujeira próximo à pele.
“A hidratação é recomendada para todos os tipos de pelagem, inclusive para os animais de pelo curto, pois o ciclo de crescimento é mais rápido e a pele, mais suscetível às mudanças climáticas”, destaca Lucas.
Neste inverno, mais do que proteger os pets do frio, é essencial cuidar da saúde da pele e dos pelos com uma abordagem preventiva e orientada. A escolha dos produtos certos e a atenção aos sinais precoces são os primeiros passos para garantir conforto e bem-estar durante toda a estação.
