Exploração de cães com os dias contados no RS

Tramita na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul projeto de lei de autoria do deputado Paulo Odone, que proíbe a prestação de serviços de vigilância de cães de guarda com fins lucrativos. De acordo com o parlamentar, a proposta em tramitação surge como um grito de “Basta” à utilização animal para execução de trabalhos tipicamente humanos. "Os órgãos de proteção dos animais têm registrado um número cada vez mais crescente de reclamações acerca dos serviços prestados pelas empresas que locam cães para vigilância de imóveis, mormente pelos maus-tratos a que estes animais estão submetidos", frisa. Odone lembra que a atividade de vigilância animal não é passível de fiscalização, tampouco coibição, uma vez que a maioria é clandestina.
Segundo ele, a questão da fiscalização é comprometida e os cães utilizados para resguardar imóveis de terceiros, ou construções, ficam sem qualquer assistência alimentar e veterinária, sem contar a solidão em que vivem. Pessoas que transitam diariamente próximo aos locais onde os animais desenvolvem a atividade de vigilância, relatam que os cães se encontram desnutridos e desidratados, em geral, em péssimo estado de saúde. "Não visualizam potes de alimentos e água, abrigo apropriado que os protejam das intempéries, mas ao contrário disso, observam abandono, a ocorrência de maus-tratos, a convivência do animal com os seus próprios dejetos e expostos a risco de morte, pois muitos dos espaços são cercados com materiais cortantes", assinala.
Em Curitiba já é proibida a exploração de cães em serviço de guarda desde 2008. Em 2009, entrou em vigor legislação idêntica com validade em todo o Paraná. Em Minas Gerais também é proibido. "O animal não tem aptidão e nem vocação profissional. Nunca receberá qualquer pagamento pelo trabalho que desenvolve a custa do instinto aguçado pela fome, medo, solidão e outros sentimentos que na condição humana, levariam qualquer indivíduo ao um elevado nível de estresse", avalia.