A história da Chica poderia ter acabado de forma trágica, como a de tantos outros animais vítimas do tráfico ilegal no Brasil. Mas o destino mudou quando ela foi resgatada pelo Comando Ambiental da Brigada Militar (CABM), em Porto Alegre. Hoje, a macaquinha é a nova mascote do batalhão — símbolo de resiliência e, ao mesmo tempo, um lembrete da importância da proteção à fauna silvestre.
Chica, um macaco-prego fêmea, foi encontrada em situação de comércio ilegal. O caso chegou até o CABM por meio de denúncia: a venda estava sendo realizada via WhatsApp. A pequena estava dentro de uma caixa de transporte, quando a ação policial resultou na prisão do suspeito e na sua apreensão.
Problema grave
De acordo com o comandante do CABM, coronel Rodrigo Gonçalves dos Santos, o episódio retrata um problema grave no Rio Grande do Sul e em todo o país. “Existe uma estimativa de que, a cada 10 animais capturados na natureza, apenas um chega vivo ao destino final. Nove morrem pelo caminho. Isso representa perda irreparável da biodiversidade”, afirma.
Por ter passado por uma domesticação forçada, Chica não pode mais voltar ao habitat natural. Para recebê-la, foi construída uma estrutura especial dentro da sede do batalhão, garantindo qualidade de vida e segurança. “É uma pena perpétua de cativeiro, consequência direta do crime cometido. Por isso, reforçamos o pedido para que as pessoas não comprem animais silvestres e nos ajude a combater esse tipo de delito”, ressalta o coronel.
Eixo de atuação
Mais do que mascote, a macaquinha simboliza um dos eixos de atuação do CABM: a proteção da fauna. A presença de Chica aproxima a sociedade da realidade do tráfico de animais e ajuda a conscientizar sobre a necessidade de preservar o equilíbrio ambiental.
Na semana em que se comemorou o Dia do Policial Militar Ambiental (21 de setembro), a história da nova moradora do batalhão ganhou destaque, mostrando a importância da atuação da corporação não apenas contra crimes ambientais, mas também em defesa da vida.
Saiba Mais — Chica
• Espécie: Macaco-prego (Sapajus nigritus)
• Origem: Ocorre no Nordeste da Argentina (província de Missiones) e Sudeste do Brasil
• Características: Inteligentes, sociáveis e curiosos, os macacos-prego são conhecidos pelo uso de ferramentas e pela forte interação em grupo
• Ameaça: São frequentemente vítimas do tráfico de animais silvestres devido ao apelo como “pet exótico”
• Por que não podem ser pets? A retirada da natureza desequilibra o ecossistema e, em cativeiro, os animais sofrem com estresse, perda de instintos e doenças.
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