Utilizar animais para fins terapêuticos pode não parecer uma ideia tão original, tendo em vista a quantidade de estudos e os avanços da ciência sobre a temática. Encontrar, no entanto, fundações ou organizações que lidem com essa modalidade terapêutica profissionalmente pode ser uma tarefa embaraçosa. Em função da complexidade inerente à atividade, são poucos os que têm disposição para se dedicar ao ofício.
Não é o caso do adestrador e cinotécnico Hélio Rovay Junior, que há pouco mais de 11 anos decidiu encabeçar a Associação Brasileira de Terapia Assistida por Animais - Medicão, em Campinas (SP). “Comecei sozinho. Eu e uma cadela da raça Labrador atendíamos cerca de seis crianças com Síndrome de Down em um instituto assistencial da cidade”, revela. Ele explica que depois de um tempo os trabalhos na instituição foram parados, principalmente pela falta de estrutura. “Sozinho eu não conseguia dar a continuidade que o projeto merecia ter”, relata.
A partir desse ponto, Rovay procurou formas de reestruturar o projeto, para que alas de instituições com um número maior de pacientes pudessem também usufruir os benefícios da visita dos animais. Desse período de incubação, foram tomadas medidas que nortearam um novo horizonte para o projeto, possibilitando o aumento de sua área de atuação. Buscando melhorar a qualidade de vida dos pacientes e auxiliar em seu processo de recuperação, o Medicão ajustou seu foco para contemplar pessoas de todas as idades. Além das crianças, jovens, adultos e idosos também podem se beneficiar com as visitas feitas pela equipe. Equipe que, aliás, foi outra das mudanças do projeto. Antes sozinho, Rovay conta hoje com 70 pessoas, entre voluntários e profissionais da área de Pedagogia, Psicopedagogia, Fisioterapia, Terapeutas Ocupacionais, Veterinários e Administração.
O período de reformulação também permitiu a Rovay a preferência de três frentes principais de atuação: atendimento a hospitais e instituições carentes que visa beneficiar aqueles que necessitam, atendimento em escolas, com o objetivo de melhorar o rendimento dos alunos através da interação com os animais e também as palestras em universidades para difundir o trabalho do projeto e conscientizar futuros profissionais dos benefícios em utilizar os cães terapeutas”.
Tanto deram certo as novas diretrizes do projeto, que a área de atuação dos cães cresceu. Além de Campinas, também atuam em mais cinco cidades de São Paulo - Itu (Instituto de Cegos Santa Luzia), Sorocaba (Instituto de Cegos ASAC) , Piracicaba (Hospital da Unimed), Salto (ADEVISA e IOT USP), e Jundiaí (Idosos e Sindrome de Down). Em Campinas são atendidos: Hospital Celso Pierro, Centro Educacional Integrado (deficiência mental e física), na área pedagógica a instituição de ensino fundamental Colégio Provecto, Casa de Repouso Recanto Feliz e Lar dos Velhinhos de Valinhos (atendimento a idosos).
Além do pioneirismo no Brasil na utilização de cães em escolas, o Medicão também atua no Instituto Pró Visão que atende e auxilia tanto na prevenção da deficiência quanto no atendimento a pessoas cegas ou de baixa visão, sendo assim a única equipe atuante no Brasil dentro de uma instituição de cegos com cães.
Ampliação
As atividades do Medicão são reconhecidas até nos demais estados Brasileiros e Estados Unidos. O objetivo é ampliar o quadro de voluntários e cães voluntários para este ano.
Quem estiver interessado em fazer parte da família Medicão pode entrar em contato pelo e-mail contato@projetomedicao.com.br. Informações com os psicólogos Gustavo Zancheta e Mariane Coppi ou no site www.projetomedicao.com.br.
CÃES
Se o número de pessoas envolvidas no Medicão aumentou, a matilha também cresceu. Hoje o projeto conta com 27 animais, dentre eles Golden Retriever, Labrador, Maltês, Cocker Spaniel, Collie, Buldog Francês, Bernese, Border Collie e Viralatas (SRD), todos devidamente nomeados. Além destes, outros seis cães estão em processo de avaliação e treinamento qualificado para literalmente vestirem a camisa do projeto e integrar a seleção.
O termo seleção, neste caso, não pode ser considerado uma simples analogia. O adestrador e cinotécnico explica que há realmente requisitos básicos sem os quais o cão fica impossibilitado de praticar as visitas. “Ele deve ser um cão confiante, estável. Não pode ser medroso ou tímido e deve permitir receber carinhos sem reagir de modo agressivo”.
Os carinhos citados não ficam apenas em afagos. “No adestramento, puxo orelha, o rabo...O cão terapeuta deve permitir esse tipo de interação sem reagir agressivamente”.
Após a peneira, os cães selecionados têm dieta especifica, além da aplicação de medicamentos contra parasitas, vermífugos entre outros. A rotina no dia de visitas ainda inclui um banho detalhista, com produtos especiais hipoalergênicos, que permitem tanto a segurança dos cães quanto das pessoas com as quais eles terão contato.
POSITIVO
A médica infectologista Maria Fernanda atua diretamente com o Medicão no Hospital Celso Pierro. Ela explica que esse projeto de terapia com cães já é consagrado em função do bem-estar que os animais causam na visita. “O toque do paciente no animal combate a sensação de solidão, abandono, auxilia na interação social, diminui os níveis de pressão e pode diminuir até mesmo a dor”. Para o fundador do projeto, trata-se de um trabalho minucioso, mas que garante benefícios sem tamanho tanto aos pacientes quanto à sua equipe. “Nós sempre usamos a frase que juntos nós fazemos a diferença. Esse trabalho é que dá a sensação de missão cumprida. São pequenas ações, pequenos milagres que influenciam na vida de pessoas. A equipe, junta, faz a diferença mesmo”.
O Medicão foi escolhido para representar o Brasil em Cancun, no México, em uma avaliação dos melhores projetos apoiados e patrocinados pelo Grupo Mars e ficou entre os 12 melhores. A novidade é qie a Golden Hanna estará em Porto Alegre no dia 19. Ela é a única cachorra condecorada com medalha e titulo de Honra ao Mérito Herbert de Souza - Betinho por serviços à sociedade. Já estão abertas as inscrições para o curso de TAA e AAA do Projeto Medicão Brasil, que acontecerá no dia 19 de outubro, das 9h às 13h, no Instituto Eckard.
Informações:
Angelita Luizetto Walter
Diretora de Relacionamento
angelita@institutoeckart.com.br
(51) 9358-0026 - 3012-9693
Skype: angelitawalter
Instituto Eckart Desenvolvimento Humano e Organizacional
Av. Taquara, 317 - Petrópolis
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