Você já reparou nos bigodes do seu cachorro ou gato? Eles não estão ali apenas para dar um charme a mais. Conhecidos cientificamente como vibrissas, esses pelos são verdadeiros sensores que ajudam os pets a explorar o mundo ao redor, evitando colisões e até "erros de mira" na hora do xixi e da refeição.
As vibrissas são altamente sensíveis e captam informações sobre o ambiente, como distância, movimento e textura dos objetos. Segundo a veterinária Giovana de Albuquerque Catelano, anestesista e clínica no Hospital Veterinário Taquaral (HVT), em Campinas, esses pelos desempenham um papel essencial na percepção espacial dos animais. "Transmitem informações ao cérebro através de nervos sensoriais, ajudando os pets a criar uma imagem mais precisa do ambiente", explica.
E os tutores percebem isso na prática. O engenheiro Allan Eduardo Messias Viola, dono do cãozinho SRD, chamado Fidel, já notou como seu cão usa os bigodes para se orientar durante os passeios: "Fidel esfrega os bigodes nos postes antes de fazer xixi. Acredito que seja uma forma dele medir a distância e evitar trombadas ou errar o alvo".
Já a auxiliar administrativa Julia de Camargo, tutora das gatas Leslie e Olga, percebeu que os bigodes influenciam até na alimentação: "Elas usam os bigodes para perceber objetos, como os potes de comida e água. Troquei os potes de ração por modelos côncavos porque, quando os bigodes encostavam nas bordas, elas simplesmente não comiam. E o engraçado é encontrar bigodinhos pelo chão de casa. São grossos, compridos, firmes e fofos".
As vibrissas dos gatos costumam ser mais longas e finas que as dos cães, e estão presentes não apenas ao redor do nariz e da boca, mas também acima dos olhos e atrás das patas. Gatos dependem mais dessas "antenas" para se locomover, especialmente em espaços escuros.
E atenção! Cortar ou danificar os bigodes pode prejudicar a percepção espacial do animal, causando dificuldade para se orientar, para detectar obstáculos, colisões frequentes e até alterações de comportamento e equilíbrio. “As vibrissas caem naturalmente e se renovam em um ciclo de dois a seis meses, mas se a queda for excessiva, é importante buscar orientação veterinária, pois pode ser alguma doença ou lesão”, salienta Giovana.
Para manter os bigodes saudáveis, a veterinária recomenda alguns cuidados: nunca cortá-los, mantê-los limpos, evitar produtos que possam prejudicá-los e oferecer uma alimentação equilibrada. Afinal, essas "antenas" naturais garantem que os pets se movimentem com segurança e confiança, seja em casa ou durante as aventuras diárias.
O papel dos bigodes na vida dos pets
Radares naturais ajudam na navegação e evitando "erros de mira"
