Quatro golfinhos-de-Fraser, cujo nome científico é Lagenodelphis hosei, encalharam sem vida na praia de Passo de Torres, extremo Sul de Santa Catarina, na divisa com Torres, na última semana, e não houve identificação inicial da causa da morte. Tradicional e amplamente distribuída em mares tropicais, esta espécie tem encalhes incomuns em regiões mais frias, como o sul do Brasil, Uruguai e Argentina, de acordo com o projeto Educamar, do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), que realizou a retirada e necropsia dos espécimes, em avançado estado de decomposição, ou autólise.
Três dos golfinhos eram fêmeas, sendo duas gestantes, com fetos em desenvolvimento. Os animais mediam entre 2,20 metros e 2,60 metros de comprimento. Dentes foram coletados para estimar a idade dos indivíduos. A prefeitura de Passo de Torres disponibilizou uma retroescavadeira para o enterro das carcaças. Segundo o Educamar, o golfinho-de-Fraser é uma espécie de águas tropicais e oceânicas, encontrada em todos os grandes oceanos.
Com corpos robustos, podem atingir até 2,64 metros de comprimento, rostro (bico) curto, nadadeiras relativamente pequenas e uma característica faixa escura que vai do olho até a região do ânus, facilitando sua identificação. Embora amostras tenham sido coletadas para exames complementares, o grau de autólise também pode prejudicar no resultado conclusivo para elucidar a exatidão da causa da morte.
Outras ocorrências similares envolvendo mortes ou debilidade de animais desta espécie têm sido registrados, conforme o Educamar, entre elas em Quintão, no litoral gaúcho, mas também no litoral de São Paulo e no Uruguai, onde, no final de julho, estudos preliminares da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidad de la República realizados em três golfinhos sugeriu infecção por morbilivírus de cetáceos, sem ainda um diagnóstico definitivo. Recomenda-se aos frequentadores do litoral manter distância ao encontrar animais marinhos encalhados nas praias.
