Minha vida é uma tropa
Que reponto com cuidado
Atento e bem concentrado
Vou dando-lhe todo o zelo
Sem nunca faltar sinuelo
Água boa e sombra ao gado.
Desde piá eu já pensava
Em ser tropeiro de lei
Com aquele jeito de rei
Sem nunca perder o entono
No verão, inverno e outono
Com esta ideia me criei.
Naquele tempo tropeei
Um terneiro de importância
Que visto, assim, na distância
Parece até que sorria
Seu nome era "Fantasia"
O mais bonito da estância.
Depois, mocito, repontei
Um tourinho que virou lenda
Era um florão para as prendas
Que o chamavam "Sedutor"
Mas o bicho galanteador
Perdeu-se naquelas rendas.
Já taludo eu escorei
Um touro de boa idade
Dele tenho até saudade
Ao lembrar desse virtuoso
Manoteador e fogoso
Chamava-se "Liberdade".
Depois, homem responsável,
Que não queria lambança
Tropeava de toda trança
E repontei um boi cebruno
Tranquilo um tipo reiúno
que se chamava "Confiança".
Hoje a tropa que reponto
Nesta parte da existência
Dei-lhe o nome de "Experiência"
Nunca levo o gado ao trote
Pois cuido bem do meu lote
No rumo desta querência.
Então eu sigo tropeando
Ao tranco sem escarcéu
E até tapeio o chapéu
No velho estilo gaúcho
E se ganhar esse luxo
Entro tropeando no céu...
