Quinhentas visitas ao pago
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Quinhentas visitas ao pago

Quinhentas visitas ao pago

Por
Paulo Mendes

O editor Paulo Mendes comemora a edição 500 da crônica

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Eu lembro da alegria da centésima “Campereada”. Entendi como um feito. Recordo da crônica de número 200 como se fosse hoje. Depois veio a dos 300, que um amigo lembrou como Leônidas com seus 300 guerreiros lutando contra um inimigo mais numeroso. Agora, recentemente, chegamos ao número 400 e hoje, meus amigos, temos a satisfação de anunciar o texto 500.

Que alegria, que momento supremo, que vontade de abraçar todos que me ajudaram nesta longa empreitada. Quase dez anos. Tudo começou naquele 30 de agosto de 2009, quando a editora Caroline Jardine me escalou para escrever uma crônica que mexesse com os sentimentos e a alma do nosso povo. Então escrevi “O último mate”. Houve tantas manifestações de apoio que seguimos na segunda, na terceira e não paramos mais.

Depois publicamos as coletâneas, os livros “Campereadas - Crônicas, Contos e Causos do Sul”, em 2011, e, em 2014, “Campereadas 2 - Couro, Alma e Coração”. São dois livros que os leitores leem com calma, apreciam com moderação, apenas para não chegar ao fim. Isso é o que me falam e me enche de orgulho.

Mas me agrada mesmo o fato de os leitores serem de todas as idades, crianças, jovens, adultos e pessoas idosas. Gente que nem sabia ler, que gostava de pedir para o pai ler as histórias. Outros, no fim da existência, pediam para o filho ler na cabeceira da cama, as últimas histórias... A Bia, de Garibaldi, pedia para o pai ler as “Campereadas” para ela quando tinha 5 anos.

Meu colega Oscar Bessi, contou-me que o pai, já no leito de morte, pedia para o filho ler as crônicas campeiras que o remetiam para seu passado tão distante. Isso não é mesmo emocionante? Outro colega, Luiz Augusto Kern, volta e meia fala-me que o sogro, já falecido, sempre se emocionava quando lia as crônicas aos domingos de manhã.

Sem falar que sou convidado para falar em universidades, feiras, escolas, associações e CTGs, para gente acadêmica e para pessoas simples, com pouco estudo, mas com alta sensibilidade. Isso é o que sempre quis, escrever para todos, urbanos e campeiros, independente da classe social, escolaridade ou idade. Só me preocupo com a verdade, com o sentimento contido nas crônicas, contos e causos. Quero estar ao lado do povo, dar voz aos que nunca tiveram voz e convidar a todos a meditar, refletir e, principalmente, apreciar um texto repleto de memória e poesia.

Quero agradecer ao Correio do Povo, aos colegas de redação e, principalmente, aos leitores, a razão maior de quem escreve. Foi aqui nesta coluna que encontrei o sentido da profissão e da minha vida. Aqui me exponho, viro uma ovelha carneada, com as vísceras à mostra, revelo alma e destino. Por isso, quero ter ainda por muito tempo força nos dedos, para teclar, e boa cabeça, para criar.

Gostaria que pudéssemos seguir juntos por muito mais tempo nesta longa campereada da existência, recordando passados, reinventando presentes e projetando futuros. O que escrevo é simples, puro e verdadeiro. É a minha e a nossa verdade. Aconteceu. E se não aconteceu, deveria ter acontecido. Hoje, o que leem não são palavras, são apenas abraços. Se puder, escreverei mais campereadas. Mas, essas quinhentas não são mais minhas, são de vocês. Para sempre.