Quando lia os cadernos de cultura do Correio do Povo, ainda guri, lá na Vila Rica, ficava extasiado com os poemas e trechos de romances que o jornal publicava. Com o tempo, fui me apaixonando pela literatura. No colégio escrevi minha primeira “crônica”, uma redação sobre as férias que foi muito elogiada pela professora. Depois virei jornalista e tive a alegria de poder vir a trabalhar no mesmo jornal que lia na infância. Foi emocionante pisar na redação por onde haviam passado tantos mestres.
Lembro de 2009, quando fui convidado a escrever o primeiro texto para a coluna “Campereada” que ia começar a ser publicada com o retorno do “Correio Rural”. Era para ser apenas uma e hoje são trezentas. Seis anos, todos os domingos aqui. Em 2011 lançamos o livro “Campereadas - Crônicas, Contos e Causos do Sul”, pela Editora Sulina, que teve excelente aceitação dos leitores e dos especialistas. No ano passado, foi lançado o “Campereadas 2 - Couro, Alma e Coração”. Nesse meio tempo aconteceram tantas coisas legais, como convites para falar em universidades e escolas, e para participar em feiras. Fui me dando conta que as “Campereadas” eram lidas por gente de todas as classes sociais, de todas as profissões e de todas as idades. Por gente do campo e da cidade. Entendi que, além de jornalista, o Correio do Povo havia me tornado um escritor. E isso aumenta a minha responsabilidade. A importância de falar sobre o folclore, os usos e costumes do Rio Grande, numa linguagem regionalista, recuperando termos e estilo. Tudo isso deixa-me honrado, apaziguado e feliz.
Agradeço a todas as pessoas do Correio do Povo por tudo isso que aconteceu comigo e com a coluna. Agradeço à minha família e aos meus amigos. Aos meus leitores que mandam mensagens, ligam e todos os outros que apenas leem. As “campereadas” mudaram a forma de eu ver o mundo. Me aproximei mais ainda da terra, do campo, da alma gaúcha, mesmo morando numa cidade grande. O engraçado é que quanto mais me afastei do campo, mais o campo se manifestou em mim. E agora, para comemorar esta data, estamos estreando o blog, onde estarão as colunas do jornal, outras séries, versos e prosas. Acompanhem.
Confesso que gosto demais de escrever crônicas, contos e causos campeiros. Parece ser meu destino. Sei que é pouco, mas faço tudo com dedicação e muito trabalho. Penso que é uma pequena contribuição à cultura rio-grandense. Queria que essas histórias fossem a voz das pessoas que viveram, vivem e viverão neste pago. Trata-se de um povo que se renova e se transforma, mas será sempre gaúcho. Ontem, hoje e todos os dias que vierem, campereando pela eternidade...
