Como são rapidos e fulminante os acontecimentos nas indústrias automobilísticas neste 2024, que é ano decisivo para grandes marcas mundiais que estão na base do “fico ou saio”.
É o caso da Nissan, que está mal financeiramente e com previsões de Empresas de Consultoria como a JD Power, da Nissan, sair do mercado até 2026 caso não consiga um poderoso grupo de investidores que garanta sua operações com folga financeira.
O aporte financeiro permitiria a Nissan maior investimento na eletrificação e lançamentos de novos modelos híbridos e elétricos.
É também o “Ano do Dragão”, na medida em que as montadoras chinesas, apesar de problemas recorrentes na economia local, seguem em frente, avassaladoras no mundo. As industrias automobilísticas da China exportarão, até o final de dezembro, em torno de 5 milhões de veículos para mercados importantes e progressivos da Rússia, México, Europa,
Brasil, Bélgica, Arábia Saudita, Inglaterra, Austrália, Filipinas e Turquia. Há também exportações para países africanos e para a América Latina e região do Caribe.
É a aceitação global do carro chinês "puramente elétrico” e híbrido. Os chineses têm uma impressionante velocidade em suas ações comerciais e industriais e tecnológicas. E podem se adaptar em pouco tempo às novas demandas do mercado.
No Brasil, as montadoras chinesas iniciaram “verdes” e se apresentaram ao mercado como produtoras de carros elétricos “puros”, para gradativamente, como “esperto camaleão”, trazerem para o mercado brasileiro os modelos híbridos. A quase completa falta de estrutura para o carro elétrico é um empecilho à expansão da Byd ou GWM, gigantes com fábricas no Brasil. Agora, prevalecem os suvs híbridos que fazem sucesso como Haval da GWM e o Song da Byd.
Os híbridos dotados de um ou dois motores elétricos e motor a combustão eliminam a chamada “angustia elétrica”, aquela que acomete o motorista quando a carga da bateria de íon lítio está prestes a acabar.
No Brasil atual, o motorista nem tem pontos de recarga à disposição nas rodovias. Por exemplo, a autonomia do Haval com dois motores elétricos supera os mil quilômetros. E o Haval permite uma utilização de 170 quilometros no modo elétrico..
A expansão da eletrificaçao é inevitável e diz respeito ao controle da poluição ambiental, urgente para eliminação do aquecimento global. A iniciativa privada junto a governos se movimenta em direção à formação de redes de eletromobilidade, que sustentarão o uso sem medo do carro elétrico.
O Haval faz sucesso no mercado brasileiro justamente na possibilidade do uso elétrico e a combustão. O elétrico puro, apesar de ter recuado no mundo em 2024, continua como uma certeza de futuro limpo da poluição.
De volta ao determinante do “saio ou fico”, a demissão do Ceo Carlos Tavares, que ficou por dois anos à frente do Stellantis, demonstra o quanto os chineses são “disruptivos” na produção automobilística global. Não é um “disruptivo” no sentido pejorativo dos chineses serem “destrutivos”, de prejudicarem as poderosas como Toyota, Volkswagen, Fiat , Jeep, Ford e outras, que perdem mercado devido à concorrência do carro eletrificado chinês.
Em 2023, o CEO do poderoso grupo Renault Nissan, o italiano Luca de Meo, afirmou: “temos que combater os chineses não com tarifas protecionistas, que são inócuas. Os combateremos com inovação tecnológicas e produção de carro elétricos melhores do que os deles".
O CM do CP testou o Megane elétrico recentemente e sabe que o Renault elétrico em nada fica a dever aos chineses em performance. Ao contrario, o Megane elétrico e muito melhor do que muitos carros elétricos chineses. O brilhante Luca de Meo tem razão.
O problema do Stellantis sob Carlos Tavares foi não ter investido na tecnologia híbrida e elétrica. A marca Jeep fazia sucesso na China com o modelo Renegade produzido numa unidade industrial de Guangzhou, que resultou da parceria entre a Fiat Chrysler Automobiles e a chinesa GAC em 2009. Da enorme e tecnológica fabrica saíram as primeiras unidades do Renegade para o mercado chinês em 2016. E o Renegade logo se transformou num sucesso de vendas na China.
Foi seguido pelo Compass, lançado em 2019. Em 2016, o CEO da Fiat Chrysler Automobiles era o genial financista Sergio Marchione, que recebeu um aporte bilionário da GAC e do governo chinês para montar a fábrica com capacidade de produçao de 160 mil veículos anualmente.
Em 2024, nada mais existe da parceria. E foi na China que Carlos Tavares cometeu seu grande erro de avaliação ao subestimar a produção na China de carros elétricos a partir de 2021. Mas Carlos Tavares não desconhecia o crescente poder global dos chineses com seus carros elétricos de excelente qualidade. Houve então uma drástica mudança na preferência do consumidor chinês que, a partir de 2021, passou a regeitar os suvs a combustão da Jeep, como “veículos atrasados e poluidores”.
Se em 2020 o Stellantis vendeu mais de 50 mil Renegade e Compass, em 2021 o número caiu para 20.396 veículos para ir ao chão em 2022 quando menos de 2 mil Jeep foram comercializados na China.
Em ourtubro de 2022, a parceria entre o Stellantis e chineses acabou de forma melancólica no pedido de falência da joint venture com o GAC, pelo Stellantis. Até sua saída em definitivo do Stellantis num final de semana de 2024, já com pleno domínio global dos chineses, Carlos Tavares nunca explicou os motivos que o fizeram deixar a China onde a Jeep podia ter feito uma rápida e fácil transição para a eletrificação de seus modelos. Mas como tantas vezes o passado condena, uma das razões da demissão de Tavares em 2024 é justamente a falta de uma linha eletrificada nas diversas marcas do Stellantis, mas principalmente na Jeep.
A ex-parceira do Stellantis, a montadora GAC, apresentou seus modelos elétricos inovadores no Salão de Paris de 2024. São suvs cupes excitantes na forma e conteúdo como o Aion Y Hyptec SSR, Hyptec HT, além de dois Hibridos Plug in o GAC E9 e ES9. Os elétricos com autonomia acima de 500 quilometros, enquanto os híbridos plug in podem rodar 200 quilometros no modo eletrico e mais de 1000 quilometros no modo hibrido.
Enquanto isto, no Brasil, o Stellantis oferece “micro hibrido” que aumenta a potência em 2 hps. Parece piada, mas é verdade. A Jeep podia ter aprendido tudo sobre eletrificação com a GAC, mas graas a prepotência e soberba de Tavares o Stellantis ficou prisioneiro da gasolina. Tavares tentou sair pela porta de emergência na associação a inexpressiva chinesa Leap Motor, que tem uma tecnologia muito além de uma Byd, por exemplo. No mundo ultra competitivo do automóvel, erros custam empregos. Carlos Tavares que o diga.
